2026 começou nesta 4ª com dólar a R$ 6,27. Ou: Bell'Antonio da delinquência

Os bacanas não se atrevem a propor um corte drástico nos mais de R$ 500 bilhões de subsídios e desonerações que atendem aos nababos — muitos deles, a esta altura, comprando dólares no mercado futuro. Os alvos de sempre são a Previdência e os gastos com Saúde e Educação — e se destaque, de qualquer modo, que o conjunto de medidas mirou no reajuste do salário mínimo, nos critérios para a concessão do Benefício de Prestação Continuada e no pagamento de abono.

Leiam as notícias a respeito. Mesmo as medidas consideradas “modestas” estão sendo, para empregar palavra corrente na imprensa, desidratadas pelo Congresso — não sem a chantagem explícita: a aprovação vai custar alguns bilhões em emendas.

A propósito: na proposta original do governo, em caso de queda de arrecadação ou de frustração de receitas, poderia haver o bloqueio de até 15% das emendas parlamentares, que somam estratosféricos R$ 50,5 bilhões. Mas isso pareceu demasiado para os nossos patriotas. As emendas impositivas (individuais e de bancada) foram preservadas, e só será possível, se preciso, reter 15% das emendas de comissão, que somam R$ 11,5 bilhões. O país pode ir à breca, mas não essa fonte permanente de escândalos em que se transformaram as emendas parlamentares. Por meio delas, o Executivo foi sequestrado. Também a PEC para limitar supersalários está sendo submetida a patranhas.

Assim, se nem o pacote dito “tímido” de corte de gastos não passa incólume pelo Congresso, o que poderia fazer Lula, “o grande culpado”, para conter os gastos? “Ah, mas o erro está no arcabouço…” Ocorre que também ele não é um ato unilateral do Executivo.

CAMINHANDO PARA A CONCLUSÃO
A cada vez que alguém sente a tentação de dizer que a decisão está nas mãos de Lula, um mínimo de honestidade intelectual deveria compelir o autor a esclarecer: e o que se tem de fazer é tal coisa. E tal elucidação deveria contemplar a possibilidade de a proposta ser ou não aprovada pelo Congress.

Em vez disso, surgem explicações frouxas como a parolagem de que, ao acenar com a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, Lula teria enfraquecido as medidas. Mas por quê? Ficou claro que a proposta está condicionada a uma compensação de arrecadação — se acontecer. “Ah, mas como é que Lula dá uma entrevista ao Fantástico e critica o Banco Central?” O BC é autônomo. O livre exame da Bíblia, afinal, é coisa do Século XVII…

noticia por : UOL

segunda-feira, 22, junho , 2026 10:07
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