Demissão de economista expõe racha no PSOL entre ala de Boulos e radicais

Racha sobre rumos do PSOL

A demissão do economista tem como pano de fundo o racha no PSOL sobre o futuro do partido. O episódio opôs os dois grupos que protagonizam essa disputa. De um lado, o MES (Movimento Esquerda Socialista), ala liderada por figuras como Sâmia e hoje minoritária na sigla. Do outro, o PSOL de Todas as Lutas, que reúne nomes como Boulos e Érika Hilton e é o campo majoritário.

Radical, MES defende que partido endureça críticas ao governo. A avaliação desta ala, mais afinada com o pensamento de Deccache, é de que o PSOL precisa fazer o enfrentamento a políticas consideradas neoliberais da gestão petista, como o arcabouço fiscal, que retiraria direitos sociais. O MES já havia sido contra o apoio do partido à candidatura de Lula em 2022, defendendo o lançamento de Glauber Braga (PSOL) na disputa. A posição, no entanto, não prevaleceu.

“Todas as Lutas” acusa MES de querer jogar partido na oposição a Lula. Grupo que representa cerca de 70% da direção partidária, o campo afirmou em nota que a ala minoritária faz um debate interno de “maneira pública e desrespeitosa” e que é um erro grave de parte da esquerda não compreender “os riscos do avanço da extrema-direita aqui e no mundo e tenha seu horizonte limitado a disputas internas”. O grupo defende o apoio ao governo, mas com enfrentamento das contradições e limites da gestão.

Grupo minoritário avalia que Boulos quer deixar o partido menos à esquerda. Segundo integrantes do partido ouvidos pela reportagem, o deputado estaria articulando um movimento semelhante ao feito na candidatura a prefeito de São Paulo em 2024, quando adotou um discurso mais moderado. A ideia seria aproveitar a revisão do programa político da sigla, a primeira após 20 anos de fundação, para amenizar a filosofia mais à esquerda da legenda. As discussões sobre o tema devem começar ainda neste mês.

Glauber Braga afirmou que corrente liderada por Boulos discute formar federação entre PT e PSOL. Em live no Instagram nesta sexta-feira (7), o deputado disse que a revisão do programa político seria para “facilitar a possibilidade de federação futura, a partir de um elemento efetivamente moderador das nossas posições”. Atualmente, o PSOL integra uma federação com a Rede Sustentabilidade.

noticia por : UOL

segunda-feira, 29, junho , 2026 03:29
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