Esses números não são meros estatísticos. Eles retratam histórias reais de jovens que deixaram a escola por falta de transporte, por não ver sentido nos conteúdos ensinados, por dificuldades emocionais ou pela necessidade urgente de colocar comida na mesa. A escola, muitas vezes, falha em acolher, em inspirar e em dialogar com os projetos de vida desses jovens. Isso quando não falta estrutura física, merenda ou segurança.
A evasão escolar, portanto, não é uma escolha livre, que é em grande parte, uma consequência direta das desigualdades que estruturam a sociedade.
Aqui, precisamos afirmar com todas as letras: a responsabilidade principal por garantir o direito à educação é do Estado. É ele quem deve assegurar escolas seguras, acolhedoras, com professores valorizados, infraestrutura adequada e currículos conectados à vida real. Cabe ao poder público investir de verdade na permanência escolar e na valorização do conhecimento como caminho de transformação.
Mas também é verdade que, nas brechas deixadas por esse Estado ausente, entram as organizações sociais, os coletivos culturais, as iniciativas comunitárias que lutam diariamente para manter nossas juventudes em movimento. São projetos de contraturno escolar, oficinas de arte, rodas de conversa sobre educação emocional, aulas de educação financeira, reforço escolar, esporte, cultura, ciência e tecnologia, muitas vezes realizados com parcos recursos, mas com imenso compromisso.
Essas organizações não devem ser vistas como substitutas do Estado, e sim como aliadas na construção de políticas públicas territorializadas e efetivas. É nas periferias que se desenha o Brasil do futuro. É ali que fervilham potências criativas, saberes populares e juventudes que, apesar de todas as adversidades, insistem em sonhar.
Se hoje temos jovens que, mesmo enfrentando a fome, o racismo e a exclusão, ainda sonham em ser médicos, cientistas, educadores, engenheiros ou empreendedores sociais, é porque a favela tem força, tem resiliência, tem projeto de futuro. Esses jovens não estão desistindo da escola porque querem — eles estão tentando sobreviver.
noticia por : UOL


