Mortes: Capoeirista, criava e exportava máscaras de terror

Não era comum ver Márcio Ferreira da Silva em bares, festas ou eventos sociais de Pirajuí, no interior de São Paulo, mas, algumas vezes, chamou atenção ao surgir nas ruas vestindo um traje realista do personagem Predador, criatura humanoide retratada no filme homônimo, de 1987.

A paixão pelas produções cinematográficas de terror marcou a sua infância e adolescência. “Adorava ver ‘Sexta-Feira 13’ e os filmes do Freddy Krueger na nossa TV antiga, de madrugada, quando as emissoras ainda não eram como hoje”, recorda a irmã mais velha, Adriana Escaliante, 52.

O chão do bairro onde nasceu, margeado por um córrego e minas d’água, oferecia argila, sua primeira ferramenta na descoberta do talento para as artes. “É coisa que carrego desde criança e, quando tive a oportunidade de colocar em prática, eu fiz”, contou Silva em entrevista em vídeo de 2017, para uma emissora regional.

Repórter e entrevistado estavam no ateliê da Horror Costume Studio, empresa que passou a ser idealizada em 2012, quando, durante uma graduação não concluída em design, recebeu de um colega um pouco de plastilina. A massa de modelar sintética forneceu o realismo que tanto buscava e, a partir daí, surgiram obras semelhantes às utilizadas nos longas-metragens.

Por meio das redes sociais, o trabalho se popularizou. “O primeiro cliente internacional veio pelo Instagram e era dos Estados Unidos“, relata a esposa, Denise Arantes da Silva, 38. Apesar de a maioria da clientela ser norte-americana, também despachou itens para Canadá, Austrália, China, França e África do Sul.

Em 2018, nos EUA, o ator Ted White (1926 – 2022), que interpretou o assassino Jason Voorhees no filme “Sexta-Feira 13: O Capítulo Final”, foi fotografado ao lado de um fã com um traje produzido pelo artista pirajuiense. O registro o enchia de orgulho.

Sua outra inspiração de vida foi a capoeira, esporte que ajudou a difundir no município e região. Além de professor, manteve ao menos dois projetos sociais focados na modalidade. Impactou a vida de centenas de jovens, especialmente aqueles em vulnerabilidade social. Exigia boletim escolar e se preocupava com o rumo dos aprendizes.

De opiniões fortes, era amoroso e sensível com a família. Para acompanhar o tratamento de saúde da filha caçula, tatuou um sensor de monitoramento de glicose no mesmo braço que o da filha.

Morreu no dia 28 de março, aos 42 anos, após passar mal em casa. Recuperava-se de problemas respiratórios causados pelo contato com produtos químicos do estúdio.

Deixa os filhos Leontino e Márcia, os pais, Cícero Silva, 74, e Luzia Bueno, 70, e o irmão, Antônio Marcos, 50.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

Veja os anúncios de mortes

Veja os anúncios de missa

noticia por : UOL

sábado, 18, julho , 2026 04:22
Mais previsões: Tempo 25 dias