Batalha conservadora
“Os livros mais visados ??geralmente abordam a história americana, em especial aqueles relacionados à escravidão e à história de populações racializadas nos Estados Unidos”, observa Marine Paquereau, professora de literatura americana na Universidade da Borgonha, na Europa. “O feminismo, questões de sexualidade, incluindo literatura juvenil, romance sombrio ou mesmo obras mais acadêmicas voltadas para adolescentes que questionam seus corpos e sexualidade, além de questões LGBTQIA+”, também entram na lista, segundo a pesquisadora.
Entre os 1.091 livros mais banidos durante o ano letivo de 2023-2024, 57% continham temas relacionados a sexo, 44% tinham personagens ou pessoas negras, indígenas ou mestiças, e 39% falavam de personagens ou pessoas LGBTQIA+, de acordo com a PEN America.
Todos esses são temas que Donald Trump associou à chamada ideologia “woke”, que ele retratou como inimiga do Estado, como quando denunciou a “revolução cultural de esquerda” em junho de 2020, diante do Monte Rushmore. Essa retórica, disseminada pouco a pouco nos círculos republicanos, reapareceu um ano depois, em um memorando do Comitê de Estudos Republicanos (RSC, na sigla em inglês), um grupo conservador na Câmara dos Representantes, entre outros exemplos. “Estamos em uma guerra cultural”, escreveu o presidente do grupo, Jim Banks, na época.
O memorando acusa a “teoria crítica da raça” – um campo de pesquisa que analisa o racismo estrutural nas instituições – de ensinar “essencialismo racial” aos jovens americanos. Ele se baseia em uma pesquisa realizada pela organização de lobby conservadora Heritage Action para afirmar que apenas “16% [dos pais americanos] querem que a teoria crítica da raça seja ensinada a seus filhos”.
O texto conclui: “Estamos começando a ver um movimento espontâneo de pais em todo o país […] fartos dos ensinamentos que estão sendo dados a seus filhos. Como conservadores na Câmara, devemos enviar uma mensagem clara a esses pais preocupados: estamos do seu lado”.
noticia por : UOL


