A europeia Airbus está preparando seus funcionários para um ano turbulento pela frente, enquanto tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e outros países pairam sobre o início de 2026.
“O início de 2026 é marcado por um número sem precedentes de crises e por desenvolvimentos geopolíticos inquietantes”, escreveu o CEO Guillaume Faury em um memorando interno visto pela agência de notícias Bloomberg. “Devemos proceder com espírito de solidariedade e autoconfiança.”
“O cenário industrial em que operamos está repleto de dificuldades, exacerbadas pelo confronto entre os EUA e a China”, disse Faury na carta. Essas questões geopolíticas causaram significativos danos colaterais logísticos e financeiros para a fabricante de aviões no ano passado, e a empresa precisa estar pronta para se adaptar a qualquer momento”, escreveu ele.
O tom excepcionalmente sombrio sublinha um crescente senso de alarme sobre uma abordagem cada vez mais hostil do presidente dos EUA, Donald Trump, contra aliados de longa data em lugares como Canadá e Europa. As tensões vieram à tona na semana passada depois que Trump intensificou suas exigências de que os EUA deveriam ter o controle da Groenlândia —uma busca que ele reforçou com a ameaça de novas tarifas contra países que se opõem à medida.
As disrupções políticas estão obscurecendo um período que seria forte para fabricantes de aviões e companhias aéreas, com a demanda atingindo novos recordes. A United Airlines alertou na semana passada que o atrito entre potências globais corre o risco de perturbar as operações globais da companhia.
A Airbus, que divulgará seus resultados anuais no próximo mês, disse que não comentaria sobre a mensagem interna. A Reuters foi a primeira a reportar sobre o memorando.
A Airbus está em maior risco do que sua rival americana Boeing devido às renovadas tensões comerciais transatlânticas sobre a Groenlândia, que ameaçam um acordo que mantém as tarifas aeroespaciais em zero, escreveram os analistas da Bloomberg Intelligence, George Ferguson e Melissa Balzano, em nota.
“A Airbus tem mais a perder, acreditamos, dado sua base de clientes mais forte nos EUA, mas mais opções devido à sua linha de montagem final no Alabama. Os motores são particularmente desafiadores, dadas as cadeias de suprimentos entrelaçadas”, afirmaram.
noticia por : UOL


