Incêndio tira um porta-aviões da guerra; EUA afastam outro de mísseis do Irã

Os Estados Unidos enfrentam problemas com suas duas joias da coroa na guerra contra o Irã —os porta-aviões USS Gerald Ford e USS Abraham Lincoln.

O primeiro terá de fazer reparos após um incêndio acidental. Já o segundo foi deslocado ao longo da campanha militar de pouco mais de duas semanas para se proteger de ataques de drones e mísseis de Teerã.

O Ford, maior navio de guerra do planeta, irá do mar Vermelho à base da Otan em Creta (Grécia) para reparos e investigações após ter sofrido um incêndio não relacionado com ataques, mas talvez ligado à insatisfação de tripulantes.

Após enfrentar uma crise sanitária devido a falhas no seu sistema de banheiros, um incêndio iniciado numa lavanderia na quinta passada (12) durou 30 horas para ser apagado e deixou 600 marinheiros sem camas para dormir, segundo o New York Times. Ao menos 200 dos seus 4.600 tripulantes foram atendidos.

Já o jornal grego Kathimerini disse que o Ford irá a Creta para reparos e reabastecimento ao longo de uma semana. O Pentágono confirmou a informação de forma anônima a diversos meios, como a agência Reuters e o New York Times.

A publicação grega disse que uma hipótese é de que o fogo tenha sido iniciado por marinheiros insatisfeitos com os dez meses do navio no mar, quase o dobro do normal —antes, ele havia sido deslocado para a operação que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro. Ninguém mais fez esse relato.

O Ford chegou com seu grupo de ataque ao teatro de operações na véspera do ataque dos EUA e de Israel. Ele estava no Mediterrâneo oriental e, no dia 6, atravessou o canal de Suez rumo ao mar Vermelho.

Usualmente, seria uma manobra arriscada devido principalmente à presença dos rebeldes pró-Irã do Iêmen, os houthis. Mas eles por ora respeitam o cessar-fogo estabelecido em 2025 com as forças ocidentais, coincidindo com a trégua entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.

Assim como o Irã está fechando na prática o estreito de Hormuz, no golfo Pérsico, os houthis podem fazer o mesmo com o estreito de Bab al-Mandab, que liga o mar Vermelho ao Índico. Além disso, seus drones e mísseis cobrem todo o corredor marítimo até Suez e Israel, ao norte.

Vários analistas indicam que, tendo sido duramente alvejados em dois anos de conflito, os houthis preferiram se abster de apoiar abertamente o Irã agora. Mas alguns observadores acreditam que eles estejam sendo guardados como uma opção de escalada mais à frente.

O navio já havia se deslocado para a região de Jiddah, na Arábia Saudita, aparentemente para dar assistência aos marinheiros feridos. Além disso, a posição é mais protegida de mísseis e drones iranianos, dadas as defesas antiaéreas em terra.

A partir de imagens de satélite e do emprego de simulação de deslocamento com inteligência artificial acompanhando as rotas de aeronaves embarcadas, a empresa chinesa MizarVision estimou a posição atual dos supernavios no domingo (15).

A mudança mais notável havia sido do Lincoln, um porta-aviões da classe anterior à do Ford, a Nimitz. Ele operava em águas do mar da Arábia perto de Omã a até 350 km do Irã na abertura do conflito, em 28 de fevereiro.

Na sexta (13), a Guarda Revolucionária disse que tinha atingido o navio com drones, o que não foi possível verificar. O Pentágono até aqui só confirmou um ataque com drones na primeira semana da guerra, mas disse que eles foram abatidos muito antes de ameaçar o porta-aviões.

Agora, a embarcação com cerca de 90 aviões e seus navios de escolta estão mais próximos de Salalah, um porto omani a 1.100 km da costa iraniana. Lá, além da distância, há uma proteção natural na forma de uma cordilheira litorânea.

Não que isso torne Salalah inexpugnável: seu terminal de embarque de petróleo foi atingido por drones iranianos na semana passada. Mas as operações do Lincoln acabam ocorrendo a uma distância mais segura para tomar providências de defesa.

Como seguem operando normalmente em ritmo de guerra, esses navios não deixam seu rastreador por satélite ligado, mas empresas como a MizarVision fazem estimativas consideradas bem precisas.

Tão acuradas que analistas questionaram o favor que os chineses fizeram aos aliados iranianos com informações públicas acerca dos ativos militares americanos na escalada pré-guerra.

Os iranianos, por toda a propaganda que têm lançado na rede, têm capacidades antinavio consideráveis que ainda não foram vistas nesta guerra. Analistas navais são unânimes em dizer que afundar um porta-aviões, ou mesmo um destróier de escolta, é tarefa quase impossível.

Mas danos podem ser feitos, em especial a vulneráveis aeronaves em seus conveses. Aí entra a distância: drones conseguem voar mais de 2.000 km, mas mísseis navais supersônicos do arsenal iraniano no máximo atingem alvos a 700 km.

Isso dito, evitar danos ao maior símbolo da projeção de poder militar americano está na ordem do dia. O país opera 11 desses navios com cerca de 5.000 tripulantes, e a classe Ford custa o equivalente a quase R$ 70 bilhões a unidade.

noticia por : UOL

terça-feira, 17, março , 2026 09:51
Mais previsões: Tempo 25 dias