ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), comentou hoje (19) o episódio de misoginia protagonizado pelo presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB). Durante sessão parlamentar na terça-feira (17), Cerqueira utilizou a expressão pejorativa “leitear” para se referir à gestora, em meio ao travamento de R$ 6,9 milhões destinados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Visivelmente abalada, Moretti classificou a fala como uma manifestação explícita de violência política de gênero. (Veja o vídeo no final da matéria).
“Ser mulher não é só acordar, pentear o cabelo e passar batom. É ser resiliente, ter força e seguir em frente. Eu me senti muito ofendida e estou muito abalada ainda“, desabafou a prefeita.
Ela questionou se o tratamento seria o mesmo caso o cargo fosse ocupado por um homem, rebatendo a justificativa de Cerqueira de que a fala teria sido apenas um “modo de falar”. “Será que se alguém falasse que estava ‘leiteando’ a mulher dele, ele ia sentir que seria um modo de falar?“, indagou.
A indignação da prefeita também atingiu a postura do vereador Bruno Rios (PL), seu líder na Casa. Após o ataque, Rios e Cerqueira publicaram um vídeo sugerindo uma reconciliação, o que foi visto por Moretti como um reflexo do machismo estrutural que domina as instituições.
“Fiquei feliz? Não. O presidente da Câmara apenas pediu desculpa a ele. Mas para uma mulher, não“. Ela afirmou que a permanência de Rios na liderança do governo será reavaliada após conversas com a base aliada.
Entenda o caso
O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), protagonizou um episódio de baixaria e misoginia durante a sessão do dia 17 de março. Ao negar pela segunda vez a votação de um projeto que destina R$ 6,9 milhões para a saúde do município, disparou um insulto contra o vereador Bruno Rios (PL) que atingiu em cheio a prefeita Flávia Moretti: “Quer leitear, prefeita? Leiteia de outra forma”.
A expressão “leitear”, que sequer existe no vocabulário formal, foi usada em tom pejorativo e chulo, sendo interpretada nos bastidores como uma comparação ofensiva da gestora a um animal. O ataque ocorreu após o líder do governo cobrar urgência na liberação de emendas para compra de remédios e reformas no Pronto-Socorro.
Veja o vídeo:
FONTE : ReporterMT



