Pouco antes da manobra que colocaria a cápsula Orion na trajetória da Lua nesta quinta-feira (2), a tripulação da Artemis 2 teve uma “pequena surpresa”. Uma mensagem indicou uma suspeita de vazamento. Mas era um alarme falso, e a missão pôde seguir seu curso.
O episódio foi relatado por Jeremy Hansen, 50, durante uma entrevista concedida a um canal americano em meio a jornada em direção ao satélite natural da Terra. “O veículo está em ótimo estado e sentimos que tudo está correndo muito bem. Mas no caminho para a queima de injeção translunar, faltando menos de 20 minutos, recebemos uma mensagem de alerta”, contou o astronauta canadense.
A mensagem, segundo ele, apontava um possível vazamento e chamou a atenção. “Felizmente, foi apenas uma pequena anomalia e Houston nos ajudou. Eles confirmaram que estavam vendo boa pressão na cabine, assim como nós a bordo. E fizemos a queima.” Com o acionamento dos motores, a Orion gerou o impulso necessário para seguir rumo à Lua.
Hansen revelou o momento de tensão, mas originalmente ele havia sido perguntado sobre o problema com vaso sanitário na Orion. Havia uma luz de falha piscando no item.
Na entrevista, a astronauta Christina Koch, 47, afirmou que coube a ela verificar o que estava acontecendo com o vaso. “Sou a encanadora espacial”, respondeu, bem-humorada. “Gosto de dizer que é provavelmente o equipamento mais importante a bordo. Então, todos nós respiramos aliviados quando descobrimos que estava tudo bem.”
O astronauta Victor Glover, 49, por sua vez, afirmou que a tripulação vinha trabalhando para ajustar a temperatura dentro da espaçonave. “Está bem frio, estávamos desejando ter trazido um saco de dormir para temperaturas mais baixas.”
Sobre dormir na cápsula, o comandante da missão, Reid Wiseman, 50, disse ser “mais confortável do que você imagina” e definiu como algo até cômico. “A Christina tem dormido de cabeça para baixo no meio do veículo, tipo um morcego pendurado no nosso túnel de acoplamento”, brincou ele. Depois, ao ser perguntada exatamente sobre essa posição, Christina ressaltou que não há chão ou teto no espaço.
Durante a entrevista, Wiseman também elegeu um momento até aqui da missão: a vista da Terra quando iniciaram a trajetória para a Lua. “Dá para ver o globo inteiro, de polo a polo. Dá para ver a África, a Europa. Se você olhar bem de perto, consegue ver a aurora boreal. Foi o momento mais espetacular, e nos deixou paralisados.”
A missão Artemis 2 começou na quarta-feira (1º). Com a cápsula Orion no topo, o foguete SLS decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, Estados Unidos. Nesta quinta, a cápsula deixou a órbita terrestre e iniciou o caminho para a Lua.
“A humanidade voltou a mostrar do que somos capazes”, afirmou Hansen. “São as suas esperanças para o futuro que nos impulsionam agora nesta jornada ao redor da Lua”, acrescentou ele após a manobra de injeção translunar.
A Artemis 2 busca abrir caminho para um retorno à superfície lunar em 2028. A tripulação vai contornar a Lua, passando pelo lado oculto provavelmente na próxima segunda-feira (6), antes de retornar à Terra, no próximo dia 10.
Desde a decolagem, os astronautas fizeram verificações técnicas e realizaram o “apogee raise burn”, uma ignição dos motores para ganhar impulso e aumentar a altitude de sua órbita. Esse empurrão de um minuto os afastou ainda mais da Terra, preparando-os para a grande manobra desta quinta-feira, quando eles iniciaram de fato sua jornada rumo à Lua.
noticia por : UOL


