A história de Victor Geraldo Penteado se confunde com a da mulher ao lado de quem dividiu a vida, Irma Trevisan Penteado.
Nascido em Araras, no interior de São Paulo, enfrentou dificuldades desde cedo. Ainda criança se mudou para Bauru, e desde cedo teve que trabalhar.
A vida começou a ganhar novos rumos quando conheceu Irma, com quem se casou. Os dois trabalhavam nos Correios na época —ela era chefe dele na estatal— e conheciam os percalços da vida.
O pai de Irma, por exemplo, era membro do PCB (Partido Comunista Brasileiro), e fazia contribuições mensais ao partido, ainda que faltassem recursos dentro de casa.
Foi a mulher quem incentivou Geraldo a terminar os estudos. Ele tinha pouco mais de 30 anos na época e não apenas concluiu o ensino médio como também cursou história e geografia, disciplinas das quais foi depois professor.
Não demorou para ingressar no curso de direito. Passou no exame da OAB e se tornou advogado, mas a carreira foi curta.
“Ele viu que não era para ele quando teve de pôr dinheiro do próprio bolso para ajudar um cliente”, conta o também advogado Eduardo Borgo, hoje vereador e neto de Geraldo.
O negócio de sua vida estava mesmo no investimento imobiliário. Geraldo comprava casas sempre que podia. Reformava e colocava para locação.
Não eram grandes imóveis, e as residências eram no geral mais simples. Nunca teve a intenção de fazer grandes investimentos porque, segundo ele, os mais pobres sempre fazem de tudo para honrar o compromisso do aluguel.
Irma foi parceira fundamental na construção do patrimônio. No dia de pagar o aluguel, por exemplo, ela e o marido esperavam pelos locatários sentados na calçada em frente à residência onde moravam, em Bauru.
Quando recebiam, assinavam o recibo, contavam o que havia entrado e guardavam a bolada.
Geraldo nunca ostentou nem teve a intenção de fazê-lo —o para-choque de seu carro, por exemplo, vivia amarrado com um arame.
O neto, Eduardo, até dizia para o avô aproveitar a vida, viajando e deixando um pouco de lado as preocupações. Nunca adiantou.
“Ele me disse ‘tem gente que gosta de jogos, de política e afins. O meu tesão é receber meus aluguéis e cuidar das minhas casas’.”
Victor Geraldo Penteado morreu na manhã do dia 20 de março, aos 93 anos. Deixou os filhos Thelma e Maria Antonieta, os netos Eduardo, Ricardo, Priscila, Sarah e Camila.
noticia por : UOL


