Polo industrial e agrícola consolidado, Apucarana (PR) passa por uma modernização no mercado de trabalho que deve ficar cada vez mais tecnológico nos próximos anos. Segundo especialistas consultados pelo TNOnline, no futuro, os talentos mais requisitados serão os da área de Tecnologia e Inteligência Artificial (IA) voltadas para automação, IA aplicada à indústria, cientistas de dados com foco em negócios locais e profissionais dedicados à saúde mental e à longevidade.
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O economista, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana, Rogério Ribeiro, destaca que a tecnologia já está dominando áreas tradicionais do município, influenciando os trabalhos no campo a ponto de consolidar o chamado “agro 5.0”, onde diagnósticos de lavouras e aplicações de agroquímicos já são feitos por drones. Neste cenário, ele ressalta que o grande diferencial do profissional do futuro será o foco no rendimento. “Embora muitas pessoas estejam utilizando a IA, a maioria não utiliza com o objetivo de buscar produtividade e esta é, sem dúvidas, a principal vantagem em utilizá-la”, ressalta.
Ribeiro também aponta outras demandas crescentes na cidade. Segundo ele, o mercado precisa de cientistas de dados para trabalhar com grandes bases de informações, além de uma forte tendência na área de cuidados humano. “A percepção é de que há muita demanda de profissionais de saúde mental. E com o aumento da expectativa de vida e a transição demográfica, a questão dos cuidados com pessoas idosas também se destaca”, explica o economista, lembrando ainda do atual déficit de mão de obra em setores operacionais, como alimentação e reparos mecânicos.
Para o consultor do Sebrae, Tiago Cunha, o mercado apucaranense vai demandar carreiras altamente estratégicas e conectadas com a nova realidade digital. Entre as profissões do futuro elencadas por ele estão o especialista em Inteligência Artificial aplicada à indústria que segundo ele, se conecta diretamente com setores como a confecção, por exemplo, que pode ganhar competitividade com o uso essa tecnologia. “A demanda por esses profissionais já é uma realidade e cresce rapidamente, mas ainda existe uma escassez de especialistas preparados para atuar com profundidade nessa área”, aponta.
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Cunha destaca ainda outras profissões como cientista de dados voltado para negócios locais, especialista em inovação e transformação digital e ecossistemas, além de profissionais focados em sustentabilidade, economia circular e bioeconomia. De acordo com ele, essas carreiras são necessárias porque trazem competitividade, reduzem desperdícios e transformam informações em resultados reais.
Para preencher essas vagas, Cunha enfatiza que a flexibilidade é a chave. “Se eu tivesse que resumir, não é uma habilidade isolada, mas um conjunto que inclui a capacidade de aprender continuamente, se adaptar rápido e transformar conhecimento em aplicação prática. Em um cenário de inteligência artificial, não basta saber, é preciso saber usar. Hoje, quem combina conhecimento técnico com essa visão prática e relacional sai na frente”, afirma.
Indústria está mais tecnológica, afirma Sivale
Segundo a presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Iva, Elizabete Ardigo, a indústria deixou de ser apenas produção para ser tecnologia. “Existem vários programas que fazem o trabalho render”, destaca. Funções como modelistas digitais, operadores de máquinas automatizadas e analistas de e-commerce estão em alta. Ardigo, entretanto, reforça que a IA não atua sozinha. “Precisamos de um analista para abastecer com os dados corretos”.
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Além disso, as práticas sustentáveis exigidas atualmente requerem gestores ambientais para lidar com as certificações determinadas pelo cliente final. “O jovem que estiver preparado para fazer essa transformação na indústria cresce rápido. Aquele que se reinventar junto com a indústria tem o seu destaque”, assinala.
Para construir esse futuro, Elizabete destaca o foco nas novas gerações por meio de projetos. “Um dos grandes projetos que estamos fazendo é o ‘Bonetizando’, que busca despertar já na criança o interesse de ver dentro da indústria uma área que ela goste e que possa trabalhar. E para isso, ela precisa sim ter qualificação e um estudo para desempenhar bem a função”, salienta.
Falta de mão de obra e choque de gerações
A analista de RH Angela Matias aponta que a dificuldade das empresas não é só a falta de mão de obra, mas o choque de gerações. Ela defende que as gerações x e millennials têm muito a aprender com a geração z. “Sou contra culpar a geração z. Eles exigem liderança mais humana, saúde mental e flexibilidade”, explica. Para atraí-los aos setores tradicionais, lideranças precisam se conscientizar e investir em treinamentos que vão além do operacional, focando em comunicação e feedback.
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Sobre o futuro, Angela ressalta que as soft skills – habilidades comportamentais e socioemocionais, relacionadas à forma como uma pessoa interage, comunica-se e gerencia emoções no trabalho – ganham o protagonismo. “Não preciso falar inglês necessariamente para conseguir um emprego, porque a IA traduz tudo. A profissão do futuro exige habilidade comportamental e usar as novas tecnologias como ferramenta de apoio”, conclui.
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noticia por : UOL


