O líder da China, Xi Jinping, afirmou ao grupo de CEOs que acompanham o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na viagem a Pequim que a porta do país para os negócios “vai se abrir cada vez mais”.
Os comentários de Xi foram dados nesta quinta-feira (14) depois que Trump apresentou individualmente um grupo de 17 líderes empresariais —que inclui Elon Musk, Jensen Huang e Tim Cook— ao líder chinês.
“A China dá as boas-vindas a uma cooperação mutuamente benéfica mais forte com os Estados Unidos e acredita que as empresas americanas terão perspectivas ainda mais amplas na China”, declarou Xi, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
Os líderes empresariais “expressaram que atribuem grande importância” ao mercado chinês e esperam aprofundar suas operações no país.
Huang, da Nvidia, afirmou que as “reuniões dos dois líderes foram boas” e que Xi e Trump foram “incríveis”. Para Musk, “muitas coisas boas” estavam acontecendo, enquanto Cook, da Apple, fez um sinal de paz e um joinha.
Ao viajar para a China esta semana, o presidente dos EUA prometeu que sua primeira ordem de negócios seria pedir ao líder chinês que abrisse o país para os negócios norte-americanos para ajudar a “levar a República Popular a um nível ainda mais alto”.
“Temos os maiores empresários do mundo… e eles estão aqui hoje para prestar respeito a você, à China”, comentou Trump, dirigindo-se ao líder chinês.
De acordo com um comunicado da reunião Xi-Trump divulgado pela Xinhua, Xi Jinping também pediu que os dois lados expandam a cooperação para economia e comércio, saúde, agricultura, turismo e aplicação da lei.
À tarde, o segundo político mais forte do regime chinês, o primeiro-ministro Li Qiang, também se reuniu com os executivos americanos, acompanhado do presidente do banco central chinês, Pan Gongsheng, e o ministro do Comércio, Wang Wentao.
Li disse a eles que a capacidade dos EUA e da China de manter o diálogo era de “grande significado estratégico” para a estabilidade global.
Han Shen Lin, da consultoria Asia Group, avaliou que a impressão de um engajamento positivo entre EUA e China era importante para os mercados e as multinacionais.
Uma pesquisa com empresas realizada pela Câmara de Comércio Americana na China divulgada este ano constatou que as tensões entre Washington e Pequim não eram mais sua principal preocupação pela primeira vez em meia década, disse Lin.
“Isso sugere que o diálogo sustentado em si —como esta cúpula— promove estabilização, tão crítica para o planejamento corporativo de vários anos”, comentou. “As coisas não piorarem pode ser o melhor que os líderes corporativos podem esperar, mas isso ainda vale algo em um mundo cada vez mais volátil.”
As duas maiores economias do mundo estão em um momento tenso.
A China tem se oposto às tarifas de Trump, à guerra americana no Irã e aos controles crescentes de Washington que cortam o acesso chinês à tecnologia americana.
Os EUA se opuseram às ações da China em questões que incluem a assertividade militar em torno de Taiwan e do Mar do Sul da China, o apoio estatal de Pequim à indústria e o tratamento de empresas americanas que tentam competir no país.
Um alto executivo americano baseado na China, que pediu para não ser identificado, disse que Xi queria que as empresas americanas fossem uma “força estabilizadora” na tensa relação EUA-China e via os executivos visitantes como um intermediário-chave com Washington.
O líder chinês também pareceu estar buscando acalmar as preocupações dos investidores internacionais sobre a desaceleração da economia chinesa e as amplas novas regulamentações de cadeia de suprimentos de Pequim.
As regras, anunciadas em abril, permitem que as autoridades penalizem empresas estrangeiras por realizar due diligence em seus fornecedores chineses e imponham proibições de saída aos infratores.
A promessa de Xi de mais abertura, disse o executivo, poderia significar alguma flexibilização regulatória e previsibilidade, embora o acesso ao mercado seria “nos termos da China”.
A Nvidia está entre as empresas envolvidas no fogo cruzado das crescentes tensões geopolíticas. Ela enfrentou escrutínio intensificado tanto em Washington quanto em Pequim, que restringiu o acesso da China a designs de semicondutores de ponta. Espera-se que Huang use seu tempo em Pequim para retomar as negociações sobre pedidos chineses para os chips avançados H200 da empresa.
noticia por : UOL


