Como o áudio de Flávio Bolsonaro mexe com a direita e a centro-direita

De acordo com a pesquisa AtlasIntel, Zema, que está ganhando projeção ao encampar as críticas de boa parte da sociedade ao STF (Supremo Tribunal Federal) e à casta privilegiada de Brasília, largaria na frente como principal adversário de Lula no primeiro turno sem Flávio na disputa, com 17% das preferências dos entrevistados, seguido por Caiado, com 13,8%.

Se eventualmente Michelle substituir o enteado, ela é que lideraria o bloco da oposição, com 23,4% das preferências, tendo Zema bem abaixo, com 10%. Curiosamente, considerando a permanência de Flávio na corrida eleitoral, Renan Santos foi o que mais se beneficiou, chegando a 6,9%, mas ainda distante dos 34,3% mantidos pelo representante do clã Bolsonaro. No segundo turno, o levantamento também aponta que tanto Zema quanto Caiado e Renan perderiam para Lula —a participação de Michelle nessa etapa não foi incluída na pesquisa pela Atlas.

A campanha, no entanto, nem começou oficialmente, o que só deve ocorrer em meados de agosto, após as convenções partidárias e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Além disso, apesar de Zema e Caiado terem taxas de rejeição na faixa de 15%, bem mais baixas que as de Lula, eles ainda são desconhecidos da maior parte dos eleitores. Segundo a última pesquisa do Datafolha, 54% dos entrevistados disseram não conhecer Zema e 53%, Caiado. A tendência, portanto, é de que o quadro apresentado pela AtlasIntel ainda se altere bastante até a realização das eleições, em outubro, qualquer que seja o destino de Flávio.

Bandeiras conservadoras

Agora, se a candidatura do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa pelo Democracia Cristã se confirmar, em substituição ao ex-ministro e ex-deputado Aldo Rebelo, o cenário promete ficar mais complexo. Embora ele seja de centro-esquerda, é possível que acabe herdando uma fatia dos apoiadores perdidos por Flávio, além de abocanhar uma parcela dos eleitores que hoje tendem a apoiar Lula de nariz tampado já no primeiro turno, por falta de opção à esquerda.

Se Joaquim Barbosa realmente entrar na disputa como um outsider, não dá para descartar a possibilidade de ele eventualmente se credenciar a disputar o segundo turno com Lula, mesmo num contexto de identificação de boa parte dos eleitores com bandeiras mais conservadoras e de direita. Sua atuação no caso do mensalão no STF e seus embates históricos com o ministro Gilmar Mendes ainda estão na memória de muita gente e podem contar pontos preciosos a seu favor, num momento em que a imagem da instituição está abaixo do nível do mar.

noticia por : UOL

quarta-feira, 20, maio , 2026 05:49
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