Por que o apoio à causa LGBT está caindo nos EUA?

O apoio dos americanos a pautas ligadas à causa LGBT caiu após duas décadas de crescimento quase ininterrupto. É o que mostra uma nova pesquisa da consultoria Gallup, divulgada no último dia 3, indicando uma mudança de tendência em temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo, aceitação de relações homoafetivas e transição de gênero.

Embora a maioria da população ainda defenda o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o índice caiu para 65%, ante 71% registrados no pico observado entre 2022 e 2023. A queda interrompe uma trajetória de expansão iniciada ainda nos anos 1990. Em 1996, apenas 27% dos americanos apoiavam a legalização dessas uniões.

A pesquisa também detectou redução na percepção de que relações entre gays e lésbicas são moralmente aceitáveis. Atualmente, 62% dos entrevistados compartilham dessa visão, o menor percentual desde 2016. Em 2022, esse índice havia atingido 71%.

A mudança é ainda mais evidente quando o tema envolve transição de gênero. Apenas 38% dos americanos afirmam considerar moralmente aceitável a transição de gênero, oito pontos percentuais abaixo do registrado em 2021. Ao mesmo tempo, 57% dos entrevistados disseram enxergar a prática como moralmente errada.

Os dados apontam que a principal origem dessa mudança está entre os eleitores republicanos. O apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo nesse grupo caiu de 55%, em 2021 e 2022, para 37% atualmente.

Entre os republicanos, apenas 35% consideram moralmente aceitáveis as relações entre gays e lésbicas. Entre os democratas, esse índice permaneceu praticamente estável. Já entre os eleitores independentes, houve queda, mas menos acentuada do que a observada entre os republicanos.

O levantamento da Gallup foi realizado entre 1º e 17 de maio, com 1.001 adultos dos 50 estados americanos e do Distrito de Colúmbia. A margem de erro é de aproximadamente quatro pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Pautas LGBT ampliam polarização política

A crescente polarização partidária ocorre em meio a disputas políticas e jurídicas sobre temas relacionados à causa LGBT nos Estados Unidos. Nos últimos anos, diversos estados americanos aprovaram leis relacionadas à mudança de sexo, à participação de atletas transgênero em competições femininas, ao ensino de temas ligados à sexualidade e ao gênero nas escolas e ao acesso de menores de idade a bloqueadores da puberdade, hormônios e outros procedimentos de transição de gênero.

Apesar do recuo registrado na pesquisa, o cenário ainda é significativamente mais favorável à causa LGBT do que o observado há duas décadas.

O casamento homoafetivo permanece legal em todo o país desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Obergefell vs. Hodges, em 2015. Segundo estimativas citadas pela imprensa americana, mais de 800 mil uniões entre pessoas do mesmo sexo estavam legalmente reconhecidas no país até o ano passado.

Caso Obergefell vs. Hodges

Por 5 votos a 4, a Suprema Corte decidiu que a Constituição dos Estados Unidos garante às pessoas do mesmo sexo o direito fundamental ao casamento e obrigou todos os estados a reconhecer essas uniões.

O processo teve origem na ação movida por James Obergefell, de Ohio. Ele buscava que seu estado reconhecesse seu casamento com seu parceiro, John Arthur, celebrado em Maryland pouco antes da morte de Arthur. Ohio se recusava a registrar Obergefell como cônjuge sobrevivente na certidão de óbito.

O voto vencedor foi redigido pelo ministro Anthony Kennedy, que argumentou que negar o casamento a pessoas do mesmo sexo violava as garantias constitucionais de liberdade e igualdade previstas na Décima Quarta Emenda.

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noticia por : Gazeta do Povo

sexta-feira, 12, junho , 2026 07:41
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