Transnordestina quer mudar ligação com Ferrovia Norte-Sul e trocar Maranhão por Tocantins

A concessionária Transnordestina Logística, controlada pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), apresentou ao governo uma proposta de mudança de traçado para ligação de sua ferrovia com a malha da Norte-Sul.

Conforme informações obtidas pela Folha, a concessionária sugere que a conexão da Transnordestina, atualmente prevista para se conectar à Norte-Sul no Maranhão, seja trocada pela Tocantins.

A ideia é que o ponto inicial da ferrovia, hoje localizado em Eliseu Martins (PI), no sul do Piauí, não avance mais para Porto Franco (MA), mas desça ainda mais e siga para Guaraí (TO), integrando a malha à espinha dorsal ferroviária do país.

A Transnordestina Logística sustenta que o traçado maranhense é marcado por dificuldades operacionais, questões fundiárias e socioambientais. A rota atravessaria áreas urbanas mais consolidadas, com maior potencial de conflitos ligados a desapropriações, por exemplo.

Já a alternativa de seguir para Tocantins, segundo a CSN, evitaria áreas de proteção ambiental, terras indígenas, comunidades quilombolas e regiões de relevo mais complexo, reduzindo a necessidade de construção de túneis e pontes.

O novo trecho teria 654 quilômetros, pouco acima dos 620 km previstos para chegar ao Maranhão.

À Folha o ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou que recebeu a sugestão da concessionária e que a alternativa é bem avaliada pela pasta, que agora vai contratar um estudo de viabilidade técnica e econômica para definir quais das duas rotas é, de fato, a mais viável.

“Vamos contratar os estudos para confirmar a melhor alternativa. Internamente, nós já vínhamos considerando essa possibilidade de mudança. A futura conexão com a Norte-Sul viabiliza um corredor logístico completo, capaz de conectar a produção agrícola, rodovias, terminais e portos. Nossa expectativa é atrair cargas da região do Matopiba (fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de produtos industriais e minerais destinados aos portos do Nordeste”, disse Santoro.

Confirmada a escolha do traçado, ele deverá ser alvo de pedido de licenciamento ambiental e, então, submetido a leilão ou autorização. Questionada, a CSN declarou que não iria se manifestar.

A discussão sobre a ligação com a Norte-Sul está diretamente relacionada ao futuro do ramal pernambucano da Transnordestina. Quando o projeto foi criado, no início dos anos 2000, ele previa a construção de 1.728 km de ferrovias. A ideia era que o traçado funcionasse como um grande “Y”.

Partindo de Eliseu Martins (PI), a ferrovia seguiria até Salgueiro (PE) e dali se dividiria em dois braços, um para o porto de Pecém, no Ceará, e outro para o porto de Suape, em Pernambuco.

Uma série de complicações com as obras, porém, resultou em atrasos de décadas, até que, em 2022, houve a repactuação da concessão e o trecho entre Salgueiro e Suape foi retirado do contrato. A concessionária passou a se concentrar apenas no corredor cearense.

Atualmente, a obra entre Eliseu Martins e Pecém, com seus 1.206 quilômetros de extensão, está com 81% de execução física. A previsão é de que, até o segundo semestre do ano que vem, pelo menos 1.050 sejam entregues, ligando o porto cearense ao município de Paes Landim. Faltariam apenas 150 km adicionais para chegar a Eliseu Martins.

Paralelamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu retomar o projeto em Pernambuco, com recursos públicos. O traçado entre Salgueiro e o porto de Suape tem 544 km. Desse total, cerca de 180 km já foram concluídos, o equivalente a 40% da obra.

“Vamos o trecho como obra pública e depois transferir a operação para a iniciativa privada. Isso reduz os riscos financeiros do empreendimento”, comentou o ministro.

A ligação com a Norte-Sul também aparece como resposta aos questionamentos feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a viabilidade econômica do ramal pernambucano. O tribunal tem discutido se faz sentido investir recursos públicos em um trecho que, isoladamente, teria baixa atratividade econômica.

O governo sustenta que a análise não pode ser feita apenas sobre um pedaço da ferrovia e que a projeção de demanda muda completamente quando toda a malha estiver integrada à Norte-Sul.

noticia por : UOL

A concessionária Transnordestina Logística, controlada pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), apresentou ao governo uma proposta de mudança de traçado para ligação de sua ferrovia com a malha da Norte-Sul.

Conforme informações obtidas pela Folha, a concessionária sugere que a conexão da Transnordestina, atualmente prevista para se conectar à Norte-Sul no Maranhão, seja trocada pela Tocantins.

A ideia é que o ponto inicial da ferrovia, hoje localizado em Eliseu Martins (PI), no sul do Piauí, não avance mais para Porto Franco (MA), mas desça ainda mais e siga para Guaraí (TO), integrando a malha à espinha dorsal ferroviária do país.

A Transnordestina Logística sustenta que o traçado maranhense é marcado por dificuldades operacionais, questões fundiárias e socioambientais. A rota atravessaria áreas urbanas mais consolidadas, com maior potencial de conflitos ligados a desapropriações, por exemplo.

Já a alternativa de seguir para Tocantins, segundo a CSN, evitaria áreas de proteção ambiental, terras indígenas, comunidades quilombolas e regiões de relevo mais complexo, reduzindo a necessidade de construção de túneis e pontes.

O novo trecho teria 654 quilômetros, pouco acima dos 620 km previstos para chegar ao Maranhão.

À Folha o ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou que recebeu a sugestão da concessionária e que a alternativa é bem avaliada pela pasta, que agora vai contratar um estudo de viabilidade técnica e econômica para definir quais das duas rotas é, de fato, a mais viável.

“Vamos contratar os estudos para confirmar a melhor alternativa. Internamente, nós já vínhamos considerando essa possibilidade de mudança. A futura conexão com a Norte-Sul viabiliza um corredor logístico completo, capaz de conectar a produção agrícola, rodovias, terminais e portos. Nossa expectativa é atrair cargas da região do Matopiba (fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de produtos industriais e minerais destinados aos portos do Nordeste”, disse Santoro.

Confirmada a escolha do traçado, ele deverá ser alvo de pedido de licenciamento ambiental e, então, submetido a leilão ou autorização. Questionada, a CSN declarou que não iria se manifestar.

A discussão sobre a ligação com a Norte-Sul está diretamente relacionada ao futuro do ramal pernambucano da Transnordestina. Quando o projeto foi criado, no início dos anos 2000, ele previa a construção de 1.728 km de ferrovias. A ideia era que o traçado funcionasse como um grande “Y”.

Partindo de Eliseu Martins (PI), a ferrovia seguiria até Salgueiro (PE) e dali se dividiria em dois braços, um para o porto de Pecém, no Ceará, e outro para o porto de Suape, em Pernambuco.

Uma série de complicações com as obras, porém, resultou em atrasos de décadas, até que, em 2022, houve a repactuação da concessão e o trecho entre Salgueiro e Suape foi retirado do contrato. A concessionária passou a se concentrar apenas no corredor cearense.

Atualmente, a obra entre Eliseu Martins e Pecém, com seus 1.206 quilômetros de extensão, está com 81% de execução física. A previsão é de que, até o segundo semestre do ano que vem, pelo menos 1.050 sejam entregues, ligando o porto cearense ao município de Paes Landim. Faltariam apenas 150 km adicionais para chegar a Eliseu Martins.

Paralelamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu retomar o projeto em Pernambuco, com recursos públicos. O traçado entre Salgueiro e o porto de Suape tem 544 km. Desse total, cerca de 180 km já foram concluídos, o equivalente a 40% da obra.

“Vamos o trecho como obra pública e depois transferir a operação para a iniciativa privada. Isso reduz os riscos financeiros do empreendimento”, comentou o ministro.

A ligação com a Norte-Sul também aparece como resposta aos questionamentos feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a viabilidade econômica do ramal pernambucano. O tribunal tem discutido se faz sentido investir recursos públicos em um trecho que, isoladamente, teria baixa atratividade econômica.

O governo sustenta que a análise não pode ser feita apenas sobre um pedaço da ferrovia e que a projeção de demanda muda completamente quando toda a malha estiver integrada à Norte-Sul.

noticia por : UOL

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