Quebra de recordes de calor na Europa chamam a atenção de cientistas

Milhões de pessoas em busca de refúgio do calor na França nesta semana encontraram um pouco alívio com o pôr do sol. Alertas de calor também estão em vigor no Reino Unido, Espanha e Alemanha.

O verão está apenas começando, mas a Europa ocidental já está suando em sua segunda onda de calor severa neste ano.

Os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis estão elevando as temperaturas em todo o planeta, e a Europa está aquecendo mais rápido do que qualquer outro continente, tornando-a mais propensa a ondas de calor extremas.

Isso está levando os cientistas a uma questão urgente: hoje, até que ponto uma onda de calor pode chegar?

“Sabemos que as ondas de calor estão se tornando mais severas, mais frequentes e estão durando mais tempo”, disse a cientista Rebecca Emerton, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo em Reading, na Inglaterra.

O que chama a atenção agora, continua ela, são as grandes margens pelas quais os recordes de temperatura estão sendo quebrados.

Na Europa ocidental, recordes de calor estão sendo pulverizados nesta semana —o que ocorre pela segunda vez em um mês.

A última terça-feira (23) foi o dia mais quente já registrado na França desde 1947, segundo a agência meteorológica nacional.

Durante a primeira onda de calor do ano, há um mês, as temperaturas superaram o recorde de maio do Reino Unido em mais de 2 graus Celsius.

E as noites têm oferecido pouco alívio. Durante a onda de calor do mês passado, a Grã-Bretanha registrou sua primeira noite em que a temperatura mínima média ficou acima de 20 graus Celsius.

A Europa está aquecendo mais rápido do que o resto do mundo por uma combinação de fatores.

Os países reduziram a poluição do ar. Essa ação melhorou a qualidade do ar, mas deixou menos partículas chamadas aerossóis no céu para refletir a luz solar de volta ao espaço.

A cobertura de neve diminuiu, levando o solo a absorver mais radiação solar. E mudanças nos padrões de circulação atmosférica ao redor da Europa contribuíram para ondas de calor de verão mais frequentes e intensas.

Por definição, temperaturas recordes deveriam ser raras. Mas, conforme os humanos aquecem o planeta, o calor extremo está aparecendo com muito mais frequência do que seria o caso se o clima estivesse estável, segundo cientistas. Isso levou pesquisadores a tentar descobrir quais devem ser os limites de aquecimento decorrente da ação humana.

Ondas de calor dessa intensidade podem não ocorrer todos os verões, mas saber quão severas podem ser ajudaria cidades, hospitais e empresas de energia a se prepararem para o pior.

Usando simulações computacionais, cientistas alcançaram avanços substanciais para estabelecer como os extremos podem se manifestar em diferentes lugares, segundo o cientista climático Erich Fischer, da universidade suíça ETH Zurich.

O que está menos claro, segundo Fischer, é por quanto tempo esse calor extraordinário poderia persistir, expondo as pessoas a condições sufocantes dia após dia, semana após semana.

“Existe um limite para isso? É aí que, na verdade, acho que ainda temos uma compreensão relativamente limitada”, afirmou o cientista.

Em um estudo publicado recentemente, Fischer e a cientista climática Laura Suarez-Gutierrez mostraram, por meio de simulações de computador, que muitas das ondas de calor europeias mais severas ocorreram logo após outra onda de calor no mesmo verão.

Uma das razões é que uma onda de calor pode preparar o terreno para que a próxima seja mais intensa: depois que uma primeira rodada de altas temperaturas resseca o solo, mais energia do sol na rodada seguinte é direcionada para aquecer o ar em vez de evaporar a umidade do solo.

Ondas de calor consecutivas também deixam menos tempo para humanos e comunidades se recuperarem.

“Estamos nos preparando um pouco mais para aquele dia específico em que faz 50 ou 40 e poucos graus Celsius”, afirmou Suarez-Gutierrez, professora assistente de dinâmica atmosférica na Universidade de Wageningen, na Holanda.

“Não estamos nos preparando, necessariamente, para um mês de 36 graus Celsius”, acrescentou ela. “Não parece tão extremo no papel, mas acho que nossos recursos atuais não estão preparados para isso.”

noticia por : UOL

Milhões de pessoas em busca de refúgio do calor na França nesta semana encontraram um pouco alívio com o pôr do sol. Alertas de calor também estão em vigor no Reino Unido, Espanha e Alemanha.

O verão está apenas começando, mas a Europa ocidental já está suando em sua segunda onda de calor severa neste ano.

Os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis estão elevando as temperaturas em todo o planeta, e a Europa está aquecendo mais rápido do que qualquer outro continente, tornando-a mais propensa a ondas de calor extremas.

Isso está levando os cientistas a uma questão urgente: hoje, até que ponto uma onda de calor pode chegar?

“Sabemos que as ondas de calor estão se tornando mais severas, mais frequentes e estão durando mais tempo”, disse a cientista Rebecca Emerton, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo em Reading, na Inglaterra.

O que chama a atenção agora, continua ela, são as grandes margens pelas quais os recordes de temperatura estão sendo quebrados.

Na Europa ocidental, recordes de calor estão sendo pulverizados nesta semana —o que ocorre pela segunda vez em um mês.

A última terça-feira (23) foi o dia mais quente já registrado na França desde 1947, segundo a agência meteorológica nacional.

Durante a primeira onda de calor do ano, há um mês, as temperaturas superaram o recorde de maio do Reino Unido em mais de 2 graus Celsius.

E as noites têm oferecido pouco alívio. Durante a onda de calor do mês passado, a Grã-Bretanha registrou sua primeira noite em que a temperatura mínima média ficou acima de 20 graus Celsius.

A Europa está aquecendo mais rápido do que o resto do mundo por uma combinação de fatores.

Os países reduziram a poluição do ar. Essa ação melhorou a qualidade do ar, mas deixou menos partículas chamadas aerossóis no céu para refletir a luz solar de volta ao espaço.

A cobertura de neve diminuiu, levando o solo a absorver mais radiação solar. E mudanças nos padrões de circulação atmosférica ao redor da Europa contribuíram para ondas de calor de verão mais frequentes e intensas.

Por definição, temperaturas recordes deveriam ser raras. Mas, conforme os humanos aquecem o planeta, o calor extremo está aparecendo com muito mais frequência do que seria o caso se o clima estivesse estável, segundo cientistas. Isso levou pesquisadores a tentar descobrir quais devem ser os limites de aquecimento decorrente da ação humana.

Ondas de calor dessa intensidade podem não ocorrer todos os verões, mas saber quão severas podem ser ajudaria cidades, hospitais e empresas de energia a se prepararem para o pior.

Usando simulações computacionais, cientistas alcançaram avanços substanciais para estabelecer como os extremos podem se manifestar em diferentes lugares, segundo o cientista climático Erich Fischer, da universidade suíça ETH Zurich.

O que está menos claro, segundo Fischer, é por quanto tempo esse calor extraordinário poderia persistir, expondo as pessoas a condições sufocantes dia após dia, semana após semana.

“Existe um limite para isso? É aí que, na verdade, acho que ainda temos uma compreensão relativamente limitada”, afirmou o cientista.

Em um estudo publicado recentemente, Fischer e a cientista climática Laura Suarez-Gutierrez mostraram, por meio de simulações de computador, que muitas das ondas de calor europeias mais severas ocorreram logo após outra onda de calor no mesmo verão.

Uma das razões é que uma onda de calor pode preparar o terreno para que a próxima seja mais intensa: depois que uma primeira rodada de altas temperaturas resseca o solo, mais energia do sol na rodada seguinte é direcionada para aquecer o ar em vez de evaporar a umidade do solo.

Ondas de calor consecutivas também deixam menos tempo para humanos e comunidades se recuperarem.

“Estamos nos preparando um pouco mais para aquele dia específico em que faz 50 ou 40 e poucos graus Celsius”, afirmou Suarez-Gutierrez, professora assistente de dinâmica atmosférica na Universidade de Wageningen, na Holanda.

“Não estamos nos preparando, necessariamente, para um mês de 36 graus Celsius”, acrescentou ela. “Não parece tão extremo no papel, mas acho que nossos recursos atuais não estão preparados para isso.”

noticia por : UOL

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