O Exército dos Estados Unidos realizou bombardeios contra o Irã nesta sexta-feira (26) em resposta a um ataque atribuído aos iranianos no estreito de Hormuz.
O Comando Central dos EUA disse que aeronaves atingiram locais de armazenamento de mísseis e drones, além de instalações de radar costeiro. A mídia iraniana disse que um projétil atingiu a área ao redor de um píer em Sirik, no sul do Irã.
Sem dar detalhes, a Guarda Revolucionária do Irã disse ter revidado o novo ataque americano mirando postos militares dos EUA na região. A nova onda de hostilidades tensiona ainda mais o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho entre os dois países.
O chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou que a “violação imprudente do cessar-fogo” levará a “recuo e arrependimento” por parte dos EUA. Segundo Ebrahim Azizi, o presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstrou nenhum compromisso com os princípios de negociação ou trégua.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, disse que “se o Irã tiver divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, pode pegar o telefone”. Ele reiterou que “a violência será respondida com violência”.
Ele se referiu ao documento com 14 pontos que estabelece o fim imediato das operações militares entre os dois países e seus aliados, prevê a reabertura do estreito de Hormuz, a retirada gradual de forças americanas da região e fixa um prazo de até 60 dias para a negociação de um acordo definitivo, que deverá incluir um novo pacto sobre o programa nuclear iraniano.
O memorando também prevê a suspensão de sanções contra Teerã, a liberação de ativos iranianos congelados, isenções para exportações de petróleo e um plano de reconstrução do país de ao menos US$ 300 bilhões, financiado por parceiros dos EUA. Em contrapartida, o Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares e aceita negociar o futuro de seu estoque de urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Os bombardeios americanos são retaliação a uma ação atribuída a Teerã contra um navio comercial no estreito de Hormuz nesta quinta (25).
Trump culpou o Irã na sexta pelo ataque ao porta-contêineres Ever Lovely, de bandeira de Singapura. “Houve danos, mas o navio conseguiu seguir seu caminho”, escreveu ele em sua rede social. “Derrubamos outros três drones. Obviamente, esta é uma violação tola do nosso acordo de cessar-fogo”, afirmou.
“A agressão injustificada contra navios comerciais por forças iranianas violou claramente o cessar-fogo”, disse o Comando Central dos EUA em seu comunicado anunciando a nova ofensiva, que classificou de “uma resposta contundente” ao suposto ataque contra um navio de Singapura.
Os militares americanos afirmaram que continuarão a fornecer “coordenação e apoio para passagem segura” a embarcações comerciais que transitam pelo estreito.
A mídia estatal iraniana afirmou que vários tiros de advertência haviam sido disparados de Sirik, a região atingida nos ataques americanos, em direção a embarcações que violaram as regulamentações do estreito de Hormuz. Dois mísseis de advertência também haviam sido lançados da área vizinha de Karpan em direção à via estratégica.
A TV estatal iraniana disse que três navios-tanque estrangeiros que tentavam o que chamou de “passagem não autorizada” pelo estreito foram obrigados a retornar após um aviso do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica.
O Irã expressou anteriormente indignação com o que chamou de declaração “intervencionista, irresponsável e provocativa” dos EUA e de seis países do Golfo, que rejeitaram sua afirmação de que poderia cobrar pedágios de embarcações que transitam pelo estreito.
“A passagem segura pelo estreito de Hormuz não pode ser garantida sob arranjos ambíguos, rotas paralelas ou processos de tomada de decisão que não levem em conta o papel do Irã como Estado costeiro”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi.
Também nesta sexta, a OMI (Organização Marítima Internacional), vinculada à ONU, informou que 115 navios e 2.500 marinheiros foram retirados do estreito desde terça-feira (23).
O ataque dos EUA ocorre horas depois de o país assinar, junto de Israel e Líbano, um acordo para cessar as hostilidades na região. O pacto foi anunciado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após negociações em Washington. A embaixadora libanesa, Nada Moawad, e seu homólogo israelense, Yechiel Leiter, assinaram o documento trilateral no Departamento de Estado.
Os representantes não forneceram detalhes do acordo. A paz no Líbano é colocada pelos iranianos como pré-requisito para o fim da guerra. Os países vizinhos estão em guerra novamente desde 2 de março, quando o grupo extremista libanês Hezbollah disparou contra o Estado judeu, em apoio ao Irã. Os israelenses responderam com ataques aéreos e terrestres, que já mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano.
noticia por : UOL


