Um telescópio espacial único da Nasa está prestes a cair do céu.
Por mais de duas décadas, o telescópio do Observatório Neil Gehrels Swift observou os brilhos residuais de algumas das explosões mais violentas do universo.
Após seu lançamento em 2004, o Swift inicialmente orbitava a cerca de 595 quilômetros acima da superfície da Terra. Nessa altitude, praticamente não havia moléculas de ar para o Swift colidir, mas lentamente, ao longo do tempo, sua órbita foi descendo cada vez mais.
Agora ele está a uma altitude de cerca de 338 quilômetros, onde o ar é mais denso, criando arrasto no telescópio. Em poucos meses, a fricção puxará o Swift para a parte mais densa da atmosfera e o despedaçará.
Isto é, a menos que uma espaçonave robótica consiga realizar um resgate ousado e inédito: capturar o Swift e empurrá-lo de volta para uma órbita mais alta.
“Estou cautelosamente otimista”, disse Brad Cenko, investigador principal da missão Swift.
A tentativa de resgate está programada para começar na terça-feira, com o lançamento de uma espaçonave do tamanho de uma geladeira a partir do Atol de Kwajalein, uma das Ilhas Marshall, no meio do Oceano Pacífico.
O lançamento está previsto para não antes das 7h23 (horário de Brasília). (Em Kwajalein, serão 22h23.)
Por condições meteorológicas, os trabalhos foram adiados para a manhã desta quarta-feira (1º).
Uma pequena startup, a Katalyst Space Technologies, de Flagstaff, Arizona, desenvolveu e construiu a espaçonave, chamada Link, em cerca de nove meses, um ritmo vertiginoso comparado às missões espaciais típicas, que levam anos para sair do chão.
Ghonhee Lee, CEO da Katalyst, disse que a Nasa estabeleceu apenas dois requisitos básicos: elevar a espaçonave e não colidir com ela nem danificá-la de qualquer forma.
“Isso nos deu uma enorme flexibilidade em como projetamos o programa e como projetamos a espaçonave”, disse Lee.
Um substituto para o Swift, caso a Nasa decidisse construir um, provavelmente levaria anos e custaria centenas de milhões de dólares. Dar um contrato de US$ 30 milhões para a Katalyst elevar o Swift foi uma aposta inteligente, disseram autoridades da Nasa.
“O risco de perdermos o Swift —se não tivéssemos feito isso— era de 100%”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da divisão de astrofísica da Nasa.
Resgatar o Swift com sucesso pode adicionar anos de observações precisas de explosões de raios gama.
A Nasa originalmente contava que o Swift durasse apenas dois anos e não incluiu nenhum plano de contingência para elevar a órbita algumas décadas depois.
noticia por : UOL