Ao menos 90 pessoas morreram afogadas na França desde o último dia 19, em meio a uma onda de calor. O governo francês divulgou o dado nesta quinta-feira (2).
“Desde 19 de junho, lamentamos mais de 90 afogamentos. O número é preocupante”, afirmou a ministra dos Esportes e da Juventude, Marina Ferrari, à rádio RMC. O balanço anterior indicava 74 óbitos.
As temperaturas, que chegaram a passar dos 40°C, caíram no último fim de semana.
“Estamos observando uma queda nos últimos dias, o que mostra que está relacionado a um pico de calor, durante o qual as pessoas procuram uma forma para se refrescar”, afirmou a ministra.
Existe a possibilidade de que o país volte a enfrentar uma nova onda de calor extrema neste mês.
No último domingo (28), a agência nacional de saúde pública disse que, desde a quarta-feira (24), foram registradas em torno de mil mortes adicionais em comparação com os meses anteriores. A maioria dos óbitos (85%) são de pessoas com 65 anos ou mais, segundo as autoridades.
Na segunda-feira (29), as funerárias de Paris registraram sua capacidade máxima devido ao aumento de óbitos durante a onda de calor.
A presidente da Federação Nacional de Funerárias, Élisabeth Charrier, disse que a ocupação das empresas costuma oscilar entre 30% e 45% durante o verão. Porém, passou de 66% em todo o país.
A onda de calor sem precedentes da semana passada também causou cerca de 480 mortes acima do esperado na Holanda, informaram autoridades de saúde do país nesta quinta.
As mortes em excesso entre 22 e 28 de junho ocorreram principalmente entre pessoas com 80 anos ou mais. A maioria foi registrada no sul e no leste da Holanda, onde as temperaturas foram mais altas, chegando a quase 40°C.
Um estudo, do WWA (World Weather Attribution), consórcio de cientistas liderados pelo Imperial College, concluiu que a mudança climática criou um evento virtualmente impossível há 50 anos.
“Nos últimos 50 anos, o planeta aqueceu 1,1°C. Nesse período, a probabilidade de uma onda de calor como essa mudou imensamente. Esse evento não teria sido possível [na Europa] em um mês de junho sem as mudanças climáticas”, afirmou Theodore Keeping, pesquisador associado do Imperial College. “As temperaturas noturnas registradas não teriam sido possíveis em nenhuma época do ano sem as mudanças climáticas.”
noticia por : UOL


