Seis vezes em que a esquerda ignorou abusos com dinheiro público em viagens internacionais

Nas últimas semanas, o senador Romário (PL-RJ) vem recebendo críticas por ter viajado aos Estados Unidos para acompanhar a Copa do Mundo durante período de atividades legislativas.

O ex-jogador, além de torcer pela seleção brasileira, tem trabalhado na Cazé TV e na Romário TV, seu canal oficial nas redes sociais. Ele chegou a participar remotamente da sessão do Senado do último dia 30. Numa tentativa de abafar as críticas, disse que não se licenciou do cargo porque quer votar pelo fim da escala 6×1. A manifestação do senador veio dias após inúmeras críticas de parlamentares de esquerda, como Erika Hilton (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ).

Ao criticarem Romário, com razão, parlamentares e figuras da esquerda parecem esquecer outros casos de mau uso de dinheiro público envolvendo viagens internacionais nos últimos anos. Veja seis deles.

1) Erika Hilton “aproveitou” viagem como deputada para ir ao show de Beyoncé

Linha de frente nas críticas a Romário, Erika Hilton também esteve fora do Brasil durante período de atividades legislativas a lazer. Hilton disse que “aproveitou que estava em atividades políticas em Portugal” para ver “e foi ver “a queen Beyoncé” na França, no ano passado.

“Acabo de receber a notícia de que fui notada pela equipe da rainha e eles estão me oferecendo um lugar para assistir ao show mais de perto. Estou me tremendo inteira”, escreveu no X.

Na ocasião, Hilton não recebeu críticas de expoentes da esquerda por ter “aproveitado” uma atividade legislativa para ir a um show internacional em outro país, e sim, por ter se ausentado da Parada LGBT ocorrida no mesmo fim de semana.

Os fatos vieram à tona poucos dias após o portal Metrópoles noticiar que a Erila Hilton empregou maquiadores como assessores parlamentares e o caso ter virado uma arma nas mãos da oposição, que protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF).

Na ocasião e sem citar a viagem, a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados defendeu Erika Hilton, apontando que ela era vítima de “discurso de ódio e transfobia”.

“A extrema direita e demais setores conservadores iniciaram uma campanha orquestrada e violenta contra a deputada Erika Hilton, utilizando desinformação, fake news e reverberando discurso de ódio e de transfobia. Erika está sendo atacada porque incomoda”, disse o partido.

No mesmo dia da nota do Psol, Hilton também se defendeu e afirmou que a viagem a Paris para ver a “queen” foi apenas uma “oportunidade” que apareceu durante a viagem a Portugal, que, segundo Hilton, “foi como deputada federal, representando o Brasil e o Parlamento brasileiro, licenciada de maneira legítima, legal pela Câmara dos Deputados”.

2) Aventura da deputada petista no Mar Mediterrâneo

Em 13 de setembro do ano passado, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) embarcou na Sicília rumo à Faixa de Gaza, em um dos barcos da Flotilha Global Sumud, que tentava furar o bloqueio naval imposto por Israel com o objetivo de impedir o contrabando de armas para o grupo terrorista Hamas em Gaza.

A ação, que, segundo os organizadores tinha como objetivo levar comida e mantimentos para a população civil de Gaza, foi mal-sucedida e a embarcação foi interceptada pela Marinha israelense.

A deputada foi detida por forças de Israel, assim como outros dez brasileiros, incluindo a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL), a presidente estadual do PSOL do Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolloti, e o ativista Thiago Ávila.

A aventura da petista durante as atividades parlamentares não foi criticada por figuras da esquerda — muito pelo contrário. A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores condenou o governo israelense pelo que chamaram de “sequestro” da parlamentar.

A legenda também afirmou que a missão tinha caráter “humanitário”, que o objetivo da deputada era “denunciar o apartheid” e que o apoio à sua filiada fazia parte do compromisso do PT com o “campo democrático, com a causa da liberdade, da justiça e da paz”.

O governo Lula, na figura do Itamaraty, também condenou Israel.

“O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, afirmou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores.

3) Ministério da Igualdade Racial gastou metade da verba em viagens; Gilmarpalooza esteve no roteiro

Outra polêmica envolvendo viagens internacionais durante o terceiro mandato de Lula se deu em setembro de 2023, quando a imprensa repercutiu que metade das verbas do Ministério da Igualdade Racial, à época liderado por Anielle Franco, foi gasta em viagens.

Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

No levantamento realizado pelo Estadão, R$ 6,1 milhões dos cerca de R$ 12,5 milhões foram gastos em viagens de assessores e dirigentes, incluindo voos e diárias. Em um dos deslocamentos, a pasta gastou R$ 63 mil. Na ocasião, Anielle Franco passou três dias em Nova York e Washington, nos Estados Unidos, para a reunião do Fórum Permanente sobre Afrodescentes da ONU, e só o trecho São Paulo-Nova York custou R$ 23,8 mil. 

Na justificativa enviada ao Estadão, a viagem foi classificada pelo ministério como “urgente” — ainda que a programação tivesse sido divulgada dois meses antes.

Em julho de 2024, Anielle foi convocada à Câmara pelos deputados Kim Kataguiri (MISSÃO-SP) e Hélio Lopes (PL-RJ) para esclarecer despesas do ministério.

Em reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Direitos Humanos e Minorias, Kataguiri apontou que a pasta comandada por Anielle fez “uso de verbas públicas para passeios, quando não havia nenhuma necessidade” e afirmou que, em apenas uma viagem, a Portugal, para o 10º Fórum Jurídico de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, o ministério gastou R$ 170 mil. O político também questionou a necessidade da compra de passagens em classe executiva, uma delas custando R$ 47 mil.

Deputados de esquerda presentes na reunião não criticaram o teor das viagens ou os altos gastos ministeriais. Em vez disso, tentaram transformar a pauta em um espetáculo identitário.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) afirmou que o próprio pedido de explicações sobre gastos envolvendo o Ministério da Igualdade Racial configura um caso de racismo.

“Eu não vejo questionarem o número de passagens que o ministro da Agricultura usa para participar de eventos. A quantidade de assessores e secretários que o ministro da Indústria e Comércio utiliza para participar de feiras e eventos, muito pelo contrário”, afirmou.

Outra deputada presente na reunião, Erika Kokay, parabenizou o “trabalho intersetorial”, pontuou que é “preciso repudiar toda tentativa de estabelecer o racismo como narrativa para construção de uma política de ódio” e, opinou que as viagens eram necessárias.

“Viagens para levar a todos os cantos deste país e do mundo o compromisso de termos como prioridade o enfrentamento do racismo são necessárias. Elas são absolutamente fundamentais”.

4) Embaixada brasileira na Itália virou hotel para famosos pró-Lula

De acordo com informações divulgadas pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles, alguns artistas que declararam voto em Lula tiveram hospedagens na Embaixada brasileira de Roma.

É o caso dos escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, das cantoras Fafá de Belém, Mônica Salmaso e do humorista Fábio Porchat.

Segundo informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e confirmadas pela Gazeta do Povo, parte dos artistas viajaram por um Programa de Diplomacia Cultural, que visaria o “interesse público”.

No caso de Fafá de Belém, sua viagem inteira — que incluiu estadia na Itália de 18 a 22 de maio de 2024, além de dois shows — foi bancada com dinheiro público. O custo total foi de € 45.122 (aproximadamente R$270 mil). À Gazeta do Povo, sua assessoria afirmou que ela foi convidada pelo Itamaraty e que no convite, tanto seu cachê como outras despesas estavam incluídos. Sobre a estadia na embaixada, os representantes de Fafá disseram que seria necessária para a “logística” da viagem.

Em relação à estadia de Fábio Porchat, que rendeu polêmica após o humorista ter feito um vídeo na própria embaixada ironizando a polêmica das sandálias Havaianas, tema viral no último Natal, o Itamaraty explicou que a embaixada é como se fosse a “casa” do embaixador e que, portanto, ele pode receber convidados pessoais desde que não haja custos.

CCJ da Alerj aprova projeto para declarar Fábio Porchat persona non grata; humorista reageO humorista Fábio Porchat na cerimônia do Emmy Awards. (Foto: EFE/EPA/Jason Szenes)

“As residências oficiais de postos no exterior desempenham função pública de representação (…) mas também uma função privada, como moradia do chefe do posto e de sua família”, explicou o Ministério de Relações Exteriores  à Gazeta do Povo.

A pauta não foi assunto entre parlamentares de esquerda, que pareceram ignorar o caso. Entretanto, a oposição se valeu das polêmicas para criticar o governo, apontando inclusive, falta de transparência nos dados oficiais em razão de o Itamaraty, em primeiro momento, ter se negado a fornecer a lista de hóspedes que passaram em residências oficiais.

5) A primeira-dama que viaja mais que o presidente

Um levantamento realizado pelo Poder360 e divulgado no último dia 18 mostrou que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, passou 23 dias a mais no exterior do que o presidente Lula desde o início da atual gestão federal, em janeiro de 2023. Essa diferença se deve a agendas em que a socióloga representa o governo brasileiro, apesar de não ocupar cargo público.

Em uma dessas agendas, a socióloga esteve em Roma, entre 11 e 13 de fevereiro, para participar da 48ª Sessão do Conselho de Governança do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, acompanhou a primeira-dama e os custos foram de ao menos R$ 260 mil.

Em outro caso, Janja foi designada para participar da Cúpula Nutrição para o Crescimento (N4G), entre os dias 26 e 30 de março, e o custo aos cofres públicos foi de ao menos R$ 18 mil apenas em diárias da primeira-dama e de seus cinco assessores.

É de praxe que Janja acompanhe Lula nas viagens internacionais. Mas, como não possui cargo público, a primeira-dama frequentemente vira alvos de críticas por parte de parlamentares da oposição, tanto pela quantidade de viagens, quanto pelos gastos.

Em maio de 2025, a Justiça chegou a pedir explicações ao Governo Federal sobre os gastos com as viagens da primeira-dama, após ação movida pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) e pelo advogado Jeffrey Chiquini.

Além disso, a primeira-dama coleciona gafes internacionais, como quando xingou Elon Musk durante os painéis do G20 Social ou quando gerou constrangimento durante encontro oficial com o ditador chinês Xi Jinping, ao quebrar o protocolo e pedir a palavra para falar sobre os efeitos nocivos da rede social chinesa TikTok.

Na esquerda, parlamentares e militantes evitam comentar gastos de Janja.

A bancada feminina do Partido dos Trabalhadores (PT) já chegou a dizer que a socióloga “ressignificou” o papel de primeira-dama e “rompeu com o conceito arcaico e machista de subserviência e passividade”.

A manifestação veio após o Estadão ter revelado em dezembro de 2024 que uma equipe de assessoria da primeira-dama gastou R$ 1,2 milhão em viagens. Em resposta, os partidários de Janja também acusaram a “extrema-direita” de promover ataques “machistas”.

Outras críticas a seus gastos em viagens também foram encaradas como “machismo” por parlamentares de esquerda.

6) Jaques Wagner-Vorcaro: senador ganhou ingressos para show na Califórnia

A Polícia Federal (PF) deflagrou, no último dia 18, a nona fase da Operação Compliance Zero, que teve o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, como um dos alvos.

Na investigação, o senador foi apontado como tendo recebido diversos pagamentos, negociado um apartamento em Salvador e voado em jatinhos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para atender a interesses políticos do empresário.

Segundo a PF, Jaques pediu ingressos de shows a ex-sócio de Daniel Vorcaro. EFE/FERNANDO MAIA (Foto: EFE)

“Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, escreveu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) na decisão que autorizou a operação da PF.

Entre as benesses que o político teria recebido, constam ingressos de camarote para show da cantora americana Taylor Swift, em Los Angeles e em São Paulo, em 2023.

Segundo a Folha de São Paulo, o próprio banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, teria dado os bilhetes. A matéria não confirmou que o político esteve presente no show, mas afirmou que seus familiares compareceram em ambos.

Uma das compras teria sido feita pela Reag investimentos, gestora de recursos liquidada alvo de suspeita de envolvimento com o crime organizado, e o custo teria sido de R$ 63,3 mil.

Em uma das conversas obtidas pela PF, Wagner teria indagado a Augusto Lima sobre os “ingressos de sábado”. Depois de receber três arquivos de ingressos diretamente do banqueiro, o senador ainda pediu mais duas entradas. O pedido teria sido atendido por Augusto Lima, que respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”

As recentes polêmicas envolvendo o senador petista têm sido uma dor de cabeça para o Governo Lula a poucos meses da eleição. Mas, seus partidários não parecem ter soltado a mão do político.

Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, ressaltou que o direito de ampla defesa e do contraditório é garantido a todos, e lembrou da relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Ao que eu sei, não tem nenhum áudio do senador Jaques Wagner com o senhor Vorcaro. Não tem um pedido do senador Jaques Wagner de R$ 130 milhões para o Vorcaro. O que tem é um procedimento em curso na Bahia. A diretriz do governo Lula é dar total autonomia à investigação. Ninguém pode ser culpado antecipadamente”, afirmou Randolfe.

Além disso, na última quarta-feira (1), o presidente Lula, ao lado de Jaques Wagner, exaltou a figura do senador. “A gente não escolhe irmãos, mas a gente escolhe companheiros”.

“E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto”, afirmou o mandatário.

noticia por : Gazeta do Povo

Nas últimas semanas, o senador Romário (PL-RJ) vem recebendo críticas por ter viajado aos Estados Unidos para acompanhar a Copa do Mundo durante período de atividades legislativas.

O ex-jogador, além de torcer pela seleção brasileira, tem trabalhado na Cazé TV e na Romário TV, seu canal oficial nas redes sociais. Ele chegou a participar remotamente da sessão do Senado do último dia 30. Numa tentativa de abafar as críticas, disse que não se licenciou do cargo porque quer votar pelo fim da escala 6×1. A manifestação do senador veio dias após inúmeras críticas de parlamentares de esquerda, como Erika Hilton (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ).

Ao criticarem Romário, com razão, parlamentares e figuras da esquerda parecem esquecer outros casos de mau uso de dinheiro público envolvendo viagens internacionais nos últimos anos. Veja seis deles.

1) Erika Hilton “aproveitou” viagem como deputada para ir ao show de Beyoncé

Linha de frente nas críticas a Romário, Erika Hilton também esteve fora do Brasil durante período de atividades legislativas a lazer. Hilton disse que “aproveitou que estava em atividades políticas em Portugal” para ver “e foi ver “a queen Beyoncé” na França, no ano passado.

“Acabo de receber a notícia de que fui notada pela equipe da rainha e eles estão me oferecendo um lugar para assistir ao show mais de perto. Estou me tremendo inteira”, escreveu no X.

Na ocasião, Hilton não recebeu críticas de expoentes da esquerda por ter “aproveitado” uma atividade legislativa para ir a um show internacional em outro país, e sim, por ter se ausentado da Parada LGBT ocorrida no mesmo fim de semana.

Os fatos vieram à tona poucos dias após o portal Metrópoles noticiar que a Erila Hilton empregou maquiadores como assessores parlamentares e o caso ter virado uma arma nas mãos da oposição, que protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF).

Na ocasião e sem citar a viagem, a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados defendeu Erika Hilton, apontando que ela era vítima de “discurso de ódio e transfobia”.

“A extrema direita e demais setores conservadores iniciaram uma campanha orquestrada e violenta contra a deputada Erika Hilton, utilizando desinformação, fake news e reverberando discurso de ódio e de transfobia. Erika está sendo atacada porque incomoda”, disse o partido.

No mesmo dia da nota do Psol, Hilton também se defendeu e afirmou que a viagem a Paris para ver a “queen” foi apenas uma “oportunidade” que apareceu durante a viagem a Portugal, que, segundo Hilton, “foi como deputada federal, representando o Brasil e o Parlamento brasileiro, licenciada de maneira legítima, legal pela Câmara dos Deputados”.

2) Aventura da deputada petista no Mar Mediterrâneo

Em 13 de setembro do ano passado, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) embarcou na Sicília rumo à Faixa de Gaza, em um dos barcos da Flotilha Global Sumud, que tentava furar o bloqueio naval imposto por Israel com o objetivo de impedir o contrabando de armas para o grupo terrorista Hamas em Gaza.

A ação, que, segundo os organizadores tinha como objetivo levar comida e mantimentos para a população civil de Gaza, foi mal-sucedida e a embarcação foi interceptada pela Marinha israelense.

A deputada foi detida por forças de Israel, assim como outros dez brasileiros, incluindo a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL), a presidente estadual do PSOL do Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolloti, e o ativista Thiago Ávila.

A aventura da petista durante as atividades parlamentares não foi criticada por figuras da esquerda — muito pelo contrário. A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores condenou o governo israelense pelo que chamaram de “sequestro” da parlamentar.

A legenda também afirmou que a missão tinha caráter “humanitário”, que o objetivo da deputada era “denunciar o apartheid” e que o apoio à sua filiada fazia parte do compromisso do PT com o “campo democrático, com a causa da liberdade, da justiça e da paz”.

O governo Lula, na figura do Itamaraty, também condenou Israel.

“O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, afirmou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores.

3) Ministério da Igualdade Racial gastou metade da verba em viagens; Gilmarpalooza esteve no roteiro

Outra polêmica envolvendo viagens internacionais durante o terceiro mandato de Lula se deu em setembro de 2023, quando a imprensa repercutiu que metade das verbas do Ministério da Igualdade Racial, à época liderado por Anielle Franco, foi gasta em viagens.

Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

No levantamento realizado pelo Estadão, R$ 6,1 milhões dos cerca de R$ 12,5 milhões foram gastos em viagens de assessores e dirigentes, incluindo voos e diárias. Em um dos deslocamentos, a pasta gastou R$ 63 mil. Na ocasião, Anielle Franco passou três dias em Nova York e Washington, nos Estados Unidos, para a reunião do Fórum Permanente sobre Afrodescentes da ONU, e só o trecho São Paulo-Nova York custou R$ 23,8 mil. 

Na justificativa enviada ao Estadão, a viagem foi classificada pelo ministério como “urgente” — ainda que a programação tivesse sido divulgada dois meses antes.

Em julho de 2024, Anielle foi convocada à Câmara pelos deputados Kim Kataguiri (MISSÃO-SP) e Hélio Lopes (PL-RJ) para esclarecer despesas do ministério.

Em reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Direitos Humanos e Minorias, Kataguiri apontou que a pasta comandada por Anielle fez “uso de verbas públicas para passeios, quando não havia nenhuma necessidade” e afirmou que, em apenas uma viagem, a Portugal, para o 10º Fórum Jurídico de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, o ministério gastou R$ 170 mil. O político também questionou a necessidade da compra de passagens em classe executiva, uma delas custando R$ 47 mil.

Deputados de esquerda presentes na reunião não criticaram o teor das viagens ou os altos gastos ministeriais. Em vez disso, tentaram transformar a pauta em um espetáculo identitário.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) afirmou que o próprio pedido de explicações sobre gastos envolvendo o Ministério da Igualdade Racial configura um caso de racismo.

“Eu não vejo questionarem o número de passagens que o ministro da Agricultura usa para participar de eventos. A quantidade de assessores e secretários que o ministro da Indústria e Comércio utiliza para participar de feiras e eventos, muito pelo contrário”, afirmou.

Outra deputada presente na reunião, Erika Kokay, parabenizou o “trabalho intersetorial”, pontuou que é “preciso repudiar toda tentativa de estabelecer o racismo como narrativa para construção de uma política de ódio” e, opinou que as viagens eram necessárias.

“Viagens para levar a todos os cantos deste país e do mundo o compromisso de termos como prioridade o enfrentamento do racismo são necessárias. Elas são absolutamente fundamentais”.

4) Embaixada brasileira na Itália virou hotel para famosos pró-Lula

De acordo com informações divulgadas pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles, alguns artistas que declararam voto em Lula tiveram hospedagens na Embaixada brasileira de Roma.

É o caso dos escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, das cantoras Fafá de Belém, Mônica Salmaso e do humorista Fábio Porchat.

Segundo informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e confirmadas pela Gazeta do Povo, parte dos artistas viajaram por um Programa de Diplomacia Cultural, que visaria o “interesse público”.

No caso de Fafá de Belém, sua viagem inteira — que incluiu estadia na Itália de 18 a 22 de maio de 2024, além de dois shows — foi bancada com dinheiro público. O custo total foi de € 45.122 (aproximadamente R$270 mil). À Gazeta do Povo, sua assessoria afirmou que ela foi convidada pelo Itamaraty e que no convite, tanto seu cachê como outras despesas estavam incluídos. Sobre a estadia na embaixada, os representantes de Fafá disseram que seria necessária para a “logística” da viagem.

Em relação à estadia de Fábio Porchat, que rendeu polêmica após o humorista ter feito um vídeo na própria embaixada ironizando a polêmica das sandálias Havaianas, tema viral no último Natal, o Itamaraty explicou que a embaixada é como se fosse a “casa” do embaixador e que, portanto, ele pode receber convidados pessoais desde que não haja custos.

CCJ da Alerj aprova projeto para declarar Fábio Porchat persona non grata; humorista reageO humorista Fábio Porchat na cerimônia do Emmy Awards. (Foto: EFE/EPA/Jason Szenes)

“As residências oficiais de postos no exterior desempenham função pública de representação (…) mas também uma função privada, como moradia do chefe do posto e de sua família”, explicou o Ministério de Relações Exteriores  à Gazeta do Povo.

A pauta não foi assunto entre parlamentares de esquerda, que pareceram ignorar o caso. Entretanto, a oposição se valeu das polêmicas para criticar o governo, apontando inclusive, falta de transparência nos dados oficiais em razão de o Itamaraty, em primeiro momento, ter se negado a fornecer a lista de hóspedes que passaram em residências oficiais.

5) A primeira-dama que viaja mais que o presidente

Um levantamento realizado pelo Poder360 e divulgado no último dia 18 mostrou que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, passou 23 dias a mais no exterior do que o presidente Lula desde o início da atual gestão federal, em janeiro de 2023. Essa diferença se deve a agendas em que a socióloga representa o governo brasileiro, apesar de não ocupar cargo público.

Em uma dessas agendas, a socióloga esteve em Roma, entre 11 e 13 de fevereiro, para participar da 48ª Sessão do Conselho de Governança do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, acompanhou a primeira-dama e os custos foram de ao menos R$ 260 mil.

Em outro caso, Janja foi designada para participar da Cúpula Nutrição para o Crescimento (N4G), entre os dias 26 e 30 de março, e o custo aos cofres públicos foi de ao menos R$ 18 mil apenas em diárias da primeira-dama e de seus cinco assessores.

É de praxe que Janja acompanhe Lula nas viagens internacionais. Mas, como não possui cargo público, a primeira-dama frequentemente vira alvos de críticas por parte de parlamentares da oposição, tanto pela quantidade de viagens, quanto pelos gastos.

Em maio de 2025, a Justiça chegou a pedir explicações ao Governo Federal sobre os gastos com as viagens da primeira-dama, após ação movida pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) e pelo advogado Jeffrey Chiquini.

Além disso, a primeira-dama coleciona gafes internacionais, como quando xingou Elon Musk durante os painéis do G20 Social ou quando gerou constrangimento durante encontro oficial com o ditador chinês Xi Jinping, ao quebrar o protocolo e pedir a palavra para falar sobre os efeitos nocivos da rede social chinesa TikTok.

Na esquerda, parlamentares e militantes evitam comentar gastos de Janja.

A bancada feminina do Partido dos Trabalhadores (PT) já chegou a dizer que a socióloga “ressignificou” o papel de primeira-dama e “rompeu com o conceito arcaico e machista de subserviência e passividade”.

A manifestação veio após o Estadão ter revelado em dezembro de 2024 que uma equipe de assessoria da primeira-dama gastou R$ 1,2 milhão em viagens. Em resposta, os partidários de Janja também acusaram a “extrema-direita” de promover ataques “machistas”.

Outras críticas a seus gastos em viagens também foram encaradas como “machismo” por parlamentares de esquerda.

6) Jaques Wagner-Vorcaro: senador ganhou ingressos para show na Califórnia

A Polícia Federal (PF) deflagrou, no último dia 18, a nona fase da Operação Compliance Zero, que teve o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, como um dos alvos.

Na investigação, o senador foi apontado como tendo recebido diversos pagamentos, negociado um apartamento em Salvador e voado em jatinhos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para atender a interesses políticos do empresário.

Segundo a PF, Jaques pediu ingressos de shows a ex-sócio de Daniel Vorcaro. EFE/FERNANDO MAIA (Foto: EFE)

“Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, escreveu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) na decisão que autorizou a operação da PF.

Entre as benesses que o político teria recebido, constam ingressos de camarote para show da cantora americana Taylor Swift, em Los Angeles e em São Paulo, em 2023.

Segundo a Folha de São Paulo, o próprio banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, teria dado os bilhetes. A matéria não confirmou que o político esteve presente no show, mas afirmou que seus familiares compareceram em ambos.

Uma das compras teria sido feita pela Reag investimentos, gestora de recursos liquidada alvo de suspeita de envolvimento com o crime organizado, e o custo teria sido de R$ 63,3 mil.

Em uma das conversas obtidas pela PF, Wagner teria indagado a Augusto Lima sobre os “ingressos de sábado”. Depois de receber três arquivos de ingressos diretamente do banqueiro, o senador ainda pediu mais duas entradas. O pedido teria sido atendido por Augusto Lima, que respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”

As recentes polêmicas envolvendo o senador petista têm sido uma dor de cabeça para o Governo Lula a poucos meses da eleição. Mas, seus partidários não parecem ter soltado a mão do político.

Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, ressaltou que o direito de ampla defesa e do contraditório é garantido a todos, e lembrou da relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Ao que eu sei, não tem nenhum áudio do senador Jaques Wagner com o senhor Vorcaro. Não tem um pedido do senador Jaques Wagner de R$ 130 milhões para o Vorcaro. O que tem é um procedimento em curso na Bahia. A diretriz do governo Lula é dar total autonomia à investigação. Ninguém pode ser culpado antecipadamente”, afirmou Randolfe.

Além disso, na última quarta-feira (1), o presidente Lula, ao lado de Jaques Wagner, exaltou a figura do senador. “A gente não escolhe irmãos, mas a gente escolhe companheiros”.

“E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto”, afirmou o mandatário.

noticia por : Gazeta do Povo

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