Petróleo amplia ganhos em meio a novos ataques em Hormuz

O petróleo voltou a disparar mais de 5% nesta terça-feira (14) com o acirramento da guerra no Oriente Médio e a disputa entre EUA e Irã pelo controle do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O contrato de setembro do barril Brent, referência mundial, abriu a sessão por volta de US$ 84, subiu para US$ 85 durante a madrugada e teve um novo pico nesta manhã, alcançando US$ 87,55 (R$ 449,22), por volta das 7h30 (horário de Brasília), uma valorização de 5,1%.

O acirramento do conflito fez com que o petróleo subisse mais de US$ 10 desde sexta-feira (10), quando a cotação teve a máxima de US$ 77,52. Depois disso, o preço foi diretamente impactado pelo aumento dos ataques entre EUA e Irã, o anúncio no sábado da Guarda Revolucionária do Irã que Hormuz seria fechado e a ameaça na segunda-feira (13) do presidente dos EUA, Donald Trump, de cobrar tarifa de 20% de todas as embarcações para percorrerem o trajeto.

Com isso, o petróleo voltou ao patamar atingido antes do cessar-fogo anunciado na noite de 14 de junho, um domingo. No dia seguinte, o Brent chegou a ser negociado a US$ 85,40. O valor alcançado desta terça é o maior desde 12 de junho, o último dia de negociação antes do anúncio de cessar-fogo, quando o preço máximo do Brent foi de US$ 89,90.

Além da cobrança de tarifas, Trump afirmou que os EUA vão retomar o bloqueio aos navios iranianos na via marítima. “Nós vamos manter o controle do estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse o republicano à Fox News.

O Irã, por sua vez, respondeu em um comunicado de seu comando militar conjunto. Afirmou que não permitirá que os EUA atuem na região e que irá atacar qualquer embarcação que não tiver sua autorização para passar por rotas designadas. Qualquer ajuda dos países vizinhos aos EUA ainda trará retaliações, disse Teerã —o apoio será visto como “um ato de guerra”.

As ameaças tornaram-se realidade durante a noite de segunda (no Brasil) com o Irã disparando mísseis contra bases aéreas dos EUA na Jordânia, país que vinha atuando como negociador de um acordo de paz.

Após os ataques, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou comunicado que enaltecia a boa relação com a Jordânia, mas que precisava desarticular a base dos EUA no país. “Vocês (jordanianos) sabem muito bem que não só não temos nenhuma inimizade com o seu país, como também amamos vocês, povo nobre, que compreende a dor e a opressão do povo palestino mais do que qualquer outra nação”, afirmou o braço militar do regime.

Além disso, o ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou na segunda-feira que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros do país enquanto transitavam pela faixa sul do estreito, em águas territoriais de Omã. Os militares iranianos confirmaram o ataque a duas embarcações, mas não identificou a procedência dos navios.

A resposta dos EUA foi cinco horas seguidas de ataques a alvos iranianos durante a madrugada e a manhã desta terça. Os ataques aumentaram as dúvidas de que um acordo provisório firmado no mês passado leve a uma suspensão permanente de uma guerra que já dura mais de quatro meses.

Analistas regionais afirmaram que as hostilidades permanecem, por enquanto, dentro de limites controlados, com ambos os lados buscando vantagem para um eventual acordo de paz, mas que ainda há o risco de os combates saírem do controle.

“Duvido que os dois lados retomem uma guerra total, especialmente porque Trump será prejudicado — embora também haja uma possibilidade clara de que os iranianos exagerem em suas ações. Isso vale para Trump também, é claro”, disse Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center.

A preocupação com o agravamento do conflito fez com o tráfego pelo estreito de Hormuz, que estava sendo retomado gradualmente na semana passada, voltasse a ser praticamente paralisado nesta semana.

“A perspectiva de mais confrontos e um novo bloqueio fez com que o tráfego pelo Estreito diminuísse quase completamente”, comentou Kathleen Brooks, diretora de pesquisa do grupo de negociação XTB. “Quando a cadeia de suprimentos fica congestionada, é isso que mantém a pressão de alta sobre o preço do petróleo”, complementou.

noticia por : UOL

terça-feira, 14, julho , 2026 11:27
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