
Renato Machado esteve à frente da bancada do Bom Dia Brasil durante 15 anos
Como âncora, editor-chefe e, mais tarde, correspondente em Londres, Renato Machado ajudou a construir a identidade do Bom Dia Brasil e transformou a maneira de fazer telejornalismo nas manhãs da TV Globo.
Durante 15 anos, o Brasil se acostumou a começar o dia com a saudação que virou marca registrada.
Uma voz serena para anunciar notícias que, muitas vezes, mudaram a história.
Em 1996, Renato assumiu a editoria-chefe do Bom Dia Brasil. A nova função mudou completamente a rotina: passou a dormir às oito da noite e trocou os jantares com amigos por almoços. Mas a transformação foi muito além da vida pessoal. Sob seu comando, o telejornal ganhou um novo formato e consolidou um jeito de informar que se tornaria referência.
Renato acompanhou todas as fases de crescimento do jornal.
“Foi muito importante ver que esse horário se solidificou, ganhou audiência e se tornou um hábito do brasileiro: acordar e ver notícia”, disse Renato em entrevista ao Memória Globo.
Para colegas que participaram dessa transformação, foi ele quem definiu o DNA do programa.
“Ele fez o Bom Dia Brasil como nós entendemos hoje: um jornal da manhã cheio de notícia, de ritmo e de eletricidade”, diz a comentarista do Bom dia Brasil, Miriam Leitão.
A proposta era ousada para a época.
“O Renato dizia que aquele seria o balão de ensaio do jornalismo do século XXI. E estamos falando de 1996”, contou Leilane Neubarth, ex-apresentadora do Bom Dia Brasil.
Rigor na apuração, compromisso com a verdade e informação isenta eram princípios inegociáveis. Ao mesmo tempo, Renato abriu espaço para um telejornal mais leve, com quadros sobre cinema, gastronomia e comportamento.
Apaixonado por música clássica, também sabia a importância de ouvir. Ao longo da carreira, conduziu entrevistas com personalidades dos mais diferentes universos: escritores, músicos, artistas e candidatos à Presidência da República passaram pelo estúdio do Bom Dia Brasil.
Entre quem trabalhou ao lado dele, há um consenso: a elegância que transmitia no ar era a mesma com que tratava a equipe.
“Ele cobrava muito, mas sempre com educação. Tinha um cuidado enorme com a notícia e com a apuração.”
“O Bom Dia Brasil era a cara do Renato Machado. Um programa sério, variado, extremamente caprichado. Aprendi muito com ele.”
“Como chefe, ele era um bom amigo. No meu primeiro dia, me recebeu com flores.”
Renato também fazia questão de dividir os méritos com quem estava nos bastidores.
“Televisão não se faz sozinho. Toda a equipe estava mobilizada. Editores, técnicos, pessoal de estúdio… todo mundo fez o seu melhor.”
Em 2011, deixou a bancada para assumir a função de correspondente em Londres. Mesmo do outro lado do oceano, continuou presente nas manhãs do Bom Dia Brasil.
Para quem conviveu diariamente com ele, ficaram as lições de precisão, concisão e leveza na escrita.
Uma das marcas de sua passagem pelo telejornal foi o quadro “Imagens da Semana”, que reunia duas de suas grandes paixões: jornalismo e música. Dois meses antes de morrer, Renato recebeu a equipe em casa para anunciar a volta do quadro às redes sociais do Bom Dia Brasil.
“Podemos?”
“Podemos.”
A proposta permanecia a mesma de sempre.
“Era uma maneira de recapitular a semana e, ao mesmo tempo, preparar as pessoas para o dia que estava começando.”
E, como durante tantos anos, se despedia da audiência da forma que virou sua assinatura:
“Tenham todos um bom fim de semana. E bom descanso.”
Renato Machado esteve à frente da bancada do Bom Dia Brasil durante 15 anos
Reprodução/TV Globo
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Fonte: G1
A voz que acordou o Brasil: como Renato Machado moldou a identidade do Bom Dia Brasil


