Indicado da Previ se aproxima da presidência do conselho de administração da Vale

O mapa de votação de acionistas brasileiros da Vale mostra Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, à frente de Marcelo Gasparino na disputa pela presidência do conselho de administração da mineradora. Ollie é o indicado pela Previ, que pressionou pela renúncia do antigo presidente, Daniel Stieler.

Segundo o mapa, porém, a fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil corre o risco de perder uma cadeira no colegiado: seu candidato José Maurício Coelho saiu atrás da indicada pelo conselho de administração, Ieda Gomes. Os resultados podem mudar, já que menos da metade dos votos foi computada até esta terça-feira (21).

Em assembleia nesta quarta (22), os acionistas da Vale vão concluir duas votações: uma sobre o presidente do conselho e outra sobre quem assume a cadeira de Stieler, que renunciou na semana passada após meses de pressão da Previ.

Com 48,5% dos votos de acionistas, Ollie tem 1.292.298.490 votos favoráveis contra uma rejeição de 49.174.968. Gasparino, atual vice-presidente do conselho, conta com 746.237.752 aprovações e uma rejeição maior, de 889.014.019.

O mapa divulgado nesta terça já tem os votos da Previ, responsável pela indicação de Ollie, o que leva aliados de Gasparino a crer na possibilidade de virada com os votos de acionistas estrangeiros, que serão anunciados pelo banco JP Morgan na assembleia desta quarta.

Uma fonte próxima à gestão da mineradora chamou a atenção, porém, para a pouca rejeição de Ollie, a alta de Gasparino e que nem todos os acionistas votam. Em geral, diz, os votos totais representam cerca de 85% das ações.

A pressão da Previ para antecipar mudanças no conselho — o mandato atual terminaria em abril de 2027— gerou questionamentos de acionistas, segundo ata de reunião do colegiado à qual a Folha teve acesso. Conselheiros relataram contatos com investidores sobre o tema.

Eles queriam entender as motivações por trás da decisão e se havia sinais de ingerência do governo no processo de troca do presidente do conselho de administração. A Previ é a maior acionista individual da Vale e geralmente vista como um braço do governo na mineradora.

A fundação justificou a decisão de tirar Stieler alegando que quer dar mais independência ao conselho da mineradora. Diz que não vai indicar mais nomes para presidir o colegiado, rompendo uma tradição desde os tempos em que havia um bloco de controle na empresa.

Geralmente, a Previ tem duas cadeiras no colegiado, uma delas sempre ocupada pelo presidente da fundação. Segundo o mapa de votação prévia, porém, pode perder uma delas, já que seu indicado saiu atrás na disputa.

Além da Previ, outros grandes acionistas são o conglomerado japonês de energia Mitsui, com aproximadamente 6%, e a gestora de ativos BlackRock, que também detém por volta de 6% da companhia.

A renúncia de Stieler está sendo investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Apesar de não compartilhar detalhes da investigação, a Folha apurou que a apuração é voltada às notícias sobre uma compensação financeira para que Stieler renunciasse.

Considerada uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale tem passado períodos conturbados na relação com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já tentou emplacar o ex-ministro Guido Mantega como presidente da mineradora.

Como apurou a colunista Mônica Bergamo, da Folha, há acusações de que o governo tentou interferir no resultado da eleição para o conselho, com conselheiros da empresa resistindo a reuniões com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele nega qualquer interferência.

noticia por : UOL

terça-feira, 21, julho , 2026 09:03
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