IA impulsiona exportações mexicanas para os EUA e dificulta cruzada comercial de Trump

O auge da inteligência artificial nos Estados Unidos disparou as exportações mexicanas de tecnologia avançada, no momento em que Washington busca reduzir a dependência comercial de seus parceiros no acordo de livre comércio da América do Norte, conhecido como USMCA.

O presidente americano, Donald Trump, exige uma reforma do tratado para reduzir seu déficit comercial em relação ao Canadá e ao México.

Mas o vertiginoso aumento das exportações mexicanas de equipamentos de informática está produzindo o efeito contrário e, ao ampliar seu superávit, adiciona tensão a uma nova rodada de negociações que começou nesta terça-feira (21) na Cidade do México.

Entre janeiro e abril, o México triplicou as vendas destes equipamentos aos EUA em comparação com o mesmo período de 2025. Foram mais de US$ 50 bilhões (R$ 254 bi), contra importações de US$ 2,23 bilhões (R$ 11,3 bi), segundo cálculos da AFP com base em números oficiais.

Esse setor já representa mais de 30% das exportações mexicanas para seu principal parceiro comercial, retirando do primeiro lugar a indústria automobilística, durante anos a maior beneficiária do USMCA e hoje penalizada pelas tarifas de Trump.

“É um marco, em grande medida devido à demanda da indústria eletrônica avançada de IA”, explica à AFP Diego Flores, responsável pelas indústrias eletrônicas e digitais da Secretaria de Economia do México.

O setor, que inclui tecnologias como unidades de processamento e hardware para centros de dados, não aparece na agenda desta rodada de negociação.

Os produtos mais procurados são os chassis que abrigam as placas de processamento de IA, um componente-chave para os centros de dados que se multiplicam em estados como Arizona e Texas.

O principal exportador é Jalisco, o “Vale do Silício mexicano”, que abriga gigantes mundiais do setor e um ecossistema de startups, ressalta Flores.

A empresa Foxconn, de Taiwan, monta chassis nessa região e é parceira estratégica da fabricante de chips americana Nvidia. Em março, anunciou investimentos de US$ 137 milhões (R$ 697 mi) em duas subsidiárias mexicanas, após estimar que sua produção poderá dobrar este ano.

“Estados Unidos e México continuarão sendo nossos principais centros de produção”, disse seu diretor-executivo, Michael Chiang, ao anunciar que a companhia investirá 30% a mais que em 2025 para expandir a capacidade vinculada à IA.

Diante da explosão da demanda, a Flextronics, outra empresa do setor em Jalisco, teve de usar áreas de estacionamento para ampliar sua capacidade produtiva, observa Flores.

Mas a alta ocorre em um ambiente político incerto. O governo Trump rejeitou estender o USMCA por mais 16 anos e agora o submeterá a revisões anuais.

Além disso, insiste que mais produtos sejam fabricados nos EUA, enquanto continua crescendo a dependência de importações de México, Taiwan e China para impulsionar a IA.

Washington também busca restringir o uso de tecnologia asiática na América do Norte, observa William Jackson, economista da Capital Economics.

“O governo Trump precisa ponderar a demanda por estas tecnologias e a necessidade de se manter na vanguarda do desenvolvimento da IA”, disse à AFP, considerando que “as tarifas poderiam ser prejudiciais para esse objetivo”.

O equilíbrio entre preservar uma indústria em plena expansão e sustentar o discurso protecionista coloca o setor “muito facilmente na linha de fogo”, adverte.

noticia por : UOL

quarta-feira, 22, julho , 2026 04:51
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