A lição de um grupo de guerreiros cristãos que deu início à Reconquista

Com início no fim de semana mais próximo da festa do apóstolo São Tiago Maior — este ano de 25 a 27 de julho —, realiza-se na Espanha a peregrinação Nuestra Señora de la Cristiandad de Oviedo a Covadonga. Chegando à sua sexta edição, inspira-se na célebre peregrinação Paris-Chartres. A iniciativa atrai jovens espanhóis e provenientes de todas as partes do mundo, unidos pelo apego à liturgia tradicional: no ano passado, os participantes superaram abundantemente um milhar. Também da Itália participa uma numerosa delegação.

A meta do caminho não é casual. Covadonga, no coração das montanhas asturianas, é de fato o lugar onde se travou a primeira batalha da Reconquista, ou seja, aquele longo processo que, iniciado em 722, teve como objetivo a reconstituição de uma Espanha unida e católica, objetivo concluído plenamente apenas em 1492, com a libertação de Granada. Foram oito séculos de luta motivada por uma dupla razão. Por um lado a finalidade religiosa, porque se tratou de uma autêntica cruzada contra o islã. Por outro, não faltaram as motivações políticas, porque nos espanhóis havia o grande ideal de recuperação do reino visigótico, perdido justamente com a invasão árabe.

Mesmo à distância de tantos séculos, a Reconquista transmite um grande e encorajador ensinamento também para nós, cristãos do século XXI: com a graça divina, uma minoria decidida e motivada pode vencer tanto contra os traidores internos quanto contra uma maioria aparentemente invencível. Isso vale na esfera temporal, mas também na espiritual. Na história nada é irreversível. E o retorno de muitos jovens à Tradição católica o demonstra.

A ocupação árabe da Península Ibérica, em 711, foi favorecida pelas divisões internas no reino visigótico e por ajudas vindas tanto da comunidade judaica quanto, inclusive, de um bispo católico, o célebre Oppas. O qual representa bem o modelo de uma certa ideia de Igreja, acomodada com os seus inimigos, sempre em busca de compromissos e de adaptações, mesmo quando isso significa colocar entre parênteses os dogmas da fé. Nada de novo debaixo do sol, poder-se-ia dizer… Mas se de um lado houve os traidores e os colaboracionistas, do outro destaca-se luminosa a figura de Dom Pelágio, o nobre asturiano que, junto a um punhado de apenas trezentos homens, justamente das rochas de Covadonga e graças à intercessão da Virgem Maria – ainda hoje ali venerada com o carinhoso apelido de La Santina –, deu início à Reconquista, em 722.