Um mês após ataque a tenente da Rota, atirador segue foragido e motivação do crime é desconhecida

A tentativa de homicídio contra o tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, 39, completa um mês nesta segunda-feira (27) sem que o atirador tenha sido preso e a motivação do crime, esclarecida. Os eventuais mandantes também são desconhecidos.

Quatro pessoas estão presas sob suspeita de envolvimento indireto com o caso. Outras seis foram mortas pela Polícia Militar no período.

Ronickson foi baleado no dia 27 de junho, um sábado, ao deixar a academia e parar em um semáforo na avenida Goiás, principal via de São Caetano, no ABC paulista. O crime foi filmado por uma câmera de monitoramento.

O tenente segue internado em estado grave no Hospital Estadual Mário Covas, que o recebeu logo após o disparo na cabeça feito pelo passageiro de uma motocicleta, identificado como Hércules da Costa Siqueira, o Golias, que segue foragido.

Desde então, o caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil, enquanto a Rota realiza buscas por suspeitos com base em denúncias anônimas.

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à prisão de Golias, cujo nome consta na lista vermelha de difusão da Interpol.

Documento obtido pela Folha indica que o crime contra o policial foi planejado, com estudo prévio de horários e locais.

A forma como a Polícia Militar tem tratado as denúncias anônimas recebidas em relação ao ataque ao tenente Ronickson Pimentel tem atrapalhado o avanço da investigação sobre a motivação do crime, conforme avalia a Polícia Civil.

Na avaliação de investigadores do caso ouvidos pela reportagem, as ações da Rota que resultaram em mortes acabam impedindo a obtenção de depoimentos que poderiam ajudar a esclarecer o motivo do crime e a identificar todos os responsáveis.

De 29 de junho a 10 de julho, seis pessoas morreram em ações da Rota —pelo menos três delas eram alvo de denúncias que apontavam envolvimento direto no caso.

Segundo os boletins de ocorrência, os homicídios decorrentes de intervenção policial aconteceram durante ações para apurar denúncias anônimas sobre possíveis suspeitos. Tais denúncias não chegaram ao conhecimento da Polícia Civil.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública, quatro suspeitos de envolvimento com o crime foram detidos. Dois deles teriam conduzido veículos de apoio à dupla que estava na motocicleta.

O terceiro é apontado como responsável por abandonar a moto na região da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo.

Um quarto suspeito se entregou à polícia e prestou depoimento; ele é apontado como quem teria oferecido dinheiro para que a motocicleta fosse abandonada. Seus nomes não foram divulgados, não sendo possível localizar seus advogados.

Sobre as mortes, a pasta afirmou que as abordagens que resultaram em confronto com infratores armados geraram a instauração imediata de inquéritos policiais civis e militares, acompanhados pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

“A SSP não compactua com desvios de conduta e informa que todos os fatos são rigorosamente apurados. Não é possível antecipar que todas as ocorrências estão relacionadas à tentativa de homicídio contra o policial militar.”

A morte mais recente ligada ao caso foi a de Márcio dos Santos Ferreira, 45, conhecido como Tetão, baleado em um imóvel na rua Tauro, no Jardim Iguatemi, zona leste da capital, na sexta-feira (10). A PM afirma que ele estaria ligado ao apoio logístico no ataque ao tenente.

Marcelo de Jesus Dias, 37, o Nego Zoom, foi morto em ação de policiais militares na rua do Campo, em Heliópolis, na quinta-feira (9). Segundo a corporação, ele teria conduzido a moto usada pelo atirador. Além de Zoom, outro homem foi morto na mesma ação.

Antes disso, a Rota havia matado Elenilson Misael da Silva, 47, o Galego, em Peruíbe, no litoral paulista, na quinta-feira (2). Galego é apontado como uma das pessoas que ajudaram Golias a fugir.

Além das seis mortes na conta da Rota, outros seis homicídios cometidos por diferentes tropas da PM ocorreram após o ataque ao tenente Pimentel. Boa parte desses casos ocorreu na mesma região em que Tetão foi morto, ao longo das margens da avenida Jacu-Pêssego, na zona leste.

Apesar da proximidade geográfica, não há outros elementos que conectem os casos à apuração do ataque ao tenente.

Também foi na região da avenida Jacu-Pêssego que a esposa de Golias foi localizada pela Rota na tarde de quinta-feira (23). Ela e o enteado foram levados para o DHPP. Na sequência, ambos foram liberados.

noticia por : UOL

domingo, 26, julho , 2026 07:26
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