Chinesa Sany testa produção em Campinas e inicia operação com 200 contratações

Mais uma montadora engrossa o caldo de empresas chinesas que buscam oportunidades no mercado brasileiro com veículos fabricados em solo nacional. A Sany, com atuação de longa data no ramo das máquinas de construção, assumiu uma estrutura fabril que era da Mercedes-Benz em Campinas (interior de São Paulo).

A empresa vai montar, em regime CKD (em que os kits de componentes são importados), caminhões elétricos e também movidos a diesel.

A fabricante se soma a outras que já estão com atividades mais avançadas no país no segmento de veículos comerciais, como é o caso da Foton, da Farizon, da JAC e da XCMG. Essa última, inclusive, também tem raízes profundas no setor de construção que, com o avanço do mercado doméstico, optou por expandir sua oferta e produzir caminhões na China.

De acordo com Dieter Lommer, diretor de vendas e marketing da Sany, a linha de montagem no interior paulista está em reta final de instalação de equipamentos para iniciar a produção de pelo menos quatro modelos.

Haverá um pesado equipado com motor elétrico e implemento basculante similar àqueles usados na mineração, dois cavalos mecânicos com especificações ainda a definir e um modelo leve a bateria para operação urbana.

“O Brasil é um mercado com muito potencial porque produz energia por meio de diversas fontes”, afirmou Lommer. “Além dessa oferta de energia, há o tamanho do mercado nacional, que é gigantesco.”

No momento, o executivo está na China em conversas com grupos concessionários interessados em representar a marca no país. Um deles é o Grupo Irmen, que já representa comercialmente a empresa em São Paulo no ramo de veículos fora de estrada. “Estamos prospectando mais em locais como Bahia e Amazonas”, disse Lommer.

O executivo contou ainda que a produção de alguns deles já está sendo testada na unidade de Campinas. O início da fabricação regular deverá começar a partir de janeiro. Cerca de 200 funcionários serão incorporados ao quadro de colaboradores da unidade até o fim do ano. Com eles, chegará a 600 o número de trabalhadores da companhia no país.

Os outros 400 atuam nas fábricas que a empresa mantém em São José dos Campos e Jacareí, ambas no interior de São Paulo.

No Brasil, a trajetória da companhia começou em 2007 importando equipamentos. Em 2011, após aporte de US$ 200 milhões, passou a produzir localmente escavadeiras, guindastes e rolos compactadores em regime de CKD. Mais tarde, em 2017, houve a expansão para Jacareí.

O Grupo Sany surgiu na China em 1989, onde hoje tem dez fábricas. Há também unidades produtivas na Índia, na Alemanha e nos Estados Unidos. O quadro de funcionários total da companhia é formado por 40 mil trabalhadores em 150 países.

O mercado brasileiro de caminhões elétricos ainda opera em escala reduzida, com vendas concentradas em aplicações urbanas e frotas dedicadas. Apesar disso, a combinação de matriz energética limpa, pressão por descarbonização e avanço de fabricantes chinesas tem ampliado o interesse pelo segmento.

Montadoras como BYD, Volvo e Volkswagen Caminhões (VWCO) já atuam no segmento, ainda que com volumes limitados.

O mercado total de caminhões no Brasil gira em torno de 120 mil a 130 mil unidades por ano, segundo dados da Anfavea, que é a associação que representa parte dos fabricantes de veículos locais. Dentro desse universo, os elétricos detêm uma fração ainda residual, menos de 1%, com volumes concentrados em nichos específicos de atuação.

A baixa penetração reflete desafios observados no mercado brasileiro, como custo elevado dos produtos equipados com powertrain elétrico e limitações de infraestrutura de recarga apontadas pela própria Anfavea. Por outro lado, o mercado interno vive um momento de abertura de espaço para novos entrantes nesses nichos na esteira da agenda ESG que tem regido a compra de novos veículos entre os frotistas.

Ainda de acordo com dados da associação, aumentou o número de veículos elétricos importados no primeiro semestre do ano. Desembarcaram no país no período 145,9 mil unidades eletrificadas, número que inclui modelos pesados. O volume total representou alta de 70,6% ante o registrado pela indústria nos primeiros seis meses do ano passado.

noticia por : UOL

terça-feira, 28, julho , 2026 07:39
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