Líbano diz que explosões de Israel perto de castelo capturado ameaçam cessar-fogo

Explosões provocadas por Israel perto do castelo de Beaufort, uma fortaleza no sul do Líbano que foi tomada pelas forças de Tel Aviv, representam uma “ameaça direta” ao acordo firmado entre os dois países, afirmou nesta sexta-feira (31) o presidente libanês, Joseph Aoun.

Segundo a agência estatal libanesa NNA, as forças israelenses realizaram fortes explosões por volta da meia-noite de quinta-feira (30), inclusive na área da fortaleza. O castelo, também conhecido como Qalaat al Shakif, foi capturado por Israel em maio, no âmbito de sua guerra contra o grupo pró-Irã Hezbollah.

A Unesco o incluiu na semana passada em sua lista do Patrimônio Mundial em perigo. Em nota, Aoun afirmou que a operação representa uma “ameaça direta” ao acordo e classificou a ação como uma “escalada extremamente perigosa” e uma “violação clara dos compromissos existentes”.

Segundo o presidente, o momento das explosões, às vésperas de uma nova rodada de negociações entre Beirute e Tel Aviv prevista para a próxima semana em Roma, “envia mensagens negativas e mina os esforços internacionais destinados a consolidar a estabilidade”.

Um jornalista da AFP em um povoado próximo relatou ter ouvido fortes explosões e visto uma nuvem de poeira cobrir áreas florestais da região.

Em nota conjunta, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que o Exército destruiu “túneis terroristas na região de Beaufort” com cerca de 700 toneladas de explosivos.

Segundo eles, a operação foi uma resposta a uma “violação flagrante do cessar-fogo” pelo Hezbollah na quarta-feira (29), quando o grupo teria lançado um drone explosivo contra um veículo militar israelense.

O Hezbollah não reivindica a autoria de nenhum ataque contra Israel desde 20 de junho.

Beaufort tem valor simbólico e estratégico no conflito. Por ser o ponto mais elevado na região, permite a observação de grande parte do sul do Líbano e do norte de Israel, de onde ataques foram lançados contra áreas residenciais israelenses.

O castelo já foi ocupado por 18 anos por Israel, de 1982 a 2000, e se tornou um marco da invasão no Líbano à época. Naquele momento, a ofensiva era contra os guerrilheiros da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

noticia por : UOL

sábado, 1, agosto , 2026 05:18
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