A criminalidade e a insegurança geraram um custo adicional estimado em R$ 31,1 bilhões para a economia do Estado do Rio de Janeiro, segundo estudo da Firjan, divulgado nesta quarta-feira (5).
De acordo com a entidade, o valor considera gastos com segurança patrimonial e proteção digital, prevenção a fraudes, perdas logísticas, redução de investimentos e outros impactos da violência sobre a atividade econômica.
O cálculo faz parte do estudo “Custo Rio”, elaborado pela federação neste ano e utilizado como referência no “Panorama de Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro”, levantamento baseado em dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) referentes ao período entre 2015 e 2025.
O panorama reúne indicadores de sete modalidades de crime e busca mostrar como a evolução da criminalidade afeta a economia do estado.
O levantamento aponta que a última década foi marcada por uma mudança no perfil da criminalidade. Enquanto indicadores ligados à violência nas ruas recuaram, crimes patrimoniais relacionados a fraudes cresceram de forma acelerada.
A taxa de letalidade violenta caiu 25% entre 2015 e 2025, embora tenha registrado leve alta no último ano da série.
No mesmo período, o roubo de rua recuou 36%, o roubo de carga diminuiu 57% e o roubo de veículos caiu 39%. Em sentido oposto, os registros de estelionato aumentaram 297% na década e chegaram a 146.981 casos em 2025. A taxa de extorsão também cresceu 73% no período.
Apesar da redução registrada na década, a violência letal ainda deixou um saldo elevado. Entre 2015 e 2025, 56.838 pessoas morreram no estado em decorrência de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção por agente do Estado, segundo o levantamento.
Segundo a Firjan, a principal mudança ocorreu em 2021, quando o estelionato passou a superar o roubo de rua no estado. Em 2025, foram registrados 146.981 casos de fraude, ante 56.865 roubos de rua.
O estudo atribui esse movimento, entre outros fatores, ao avanço das transações digitais, do comércio eletrônico e do Pix, embora ressalte que o Rio de Janeiro não separa estatisticamente os estelionatos eletrônicos dos demais tipos de fraude, o que limita análises mais detalhadas sobre esse fenômeno.
A redução dos principais indicadores estaduais de violência, no entanto, não ocorreu de forma uniforme no território fluminense. Enquanto a taxa de letalidade violenta caiu 25% no estado entre 2015 e 2025, o centro-sul Fluminense registrou aumento de 235% no indicador, e o noroeste fluminense, de 197%, os maiores crescimentos observados no período.
O estudo também identifica concentração regional de alguns crimes. Em 2025, a capital respondeu por 67% dos registros de roubo de rua e por metade dos casos de estelionato do estado.
Já o roubo de carga permaneceu concentrado no eixo formado pela capital e por Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, responsáveis, juntos, por 84% das ocorrências registradas no Rio no ano passado.
Somados, os registros de roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga totalizaram 102.703 ocorrências em 2025, média de 281 casos por dia no estado.
noticia por : UOL


