Como Lulinha foi de monitor de zoológico a lobista milionário

Em 2002, um ano antes de o pai tomar posse como presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva ganhava R$ 600 por mês como monitor no Zoológico de São Paulo. Lulinha não cuidava dos bichos, mas explicava para os visitantes o que o elefante come, por que o pescoço da girafa é grande, como a onça se camufla na mata. Até então, sua vida era marcada apenas pelos bichos e pela discrição, sem sinal de qualquer vocação para os negócios.

Hoje, aos 51 anos, o filho mais velho de Lula voltou a ser investigado pela Polícia Federal. Fábio já esteve na mira da Lava Jato por causa de suas empresas e agora reaparece numa história que envolve uma lobista, viagens internacionais bancadas por terceiros e gente com acesso direto ao presidente.

O salto do zoológico para o mundo do dinheiro e do poder em pouco mais de 20 anos já seria, por si só, um percurso digno de atenção. Mas há outro detalhe interessante nessa trajetória: Fábio Luís, que nunca deu uma entrevista de verdade, talvez seja a figura mais citada e menos ouvida da era lulista.

Quem fala por Lulinha são sempre os outros (a mãe, os amigos, os advogados, o próprio pai). A blindagem, ao que tudo indica, começa justamente aí: fazendo com que ele próprio apareça o mínimo possível.