Apresentados como “Dr. Jesus” e “Dr. Epaminondas”, os criminosos cobravam taxas de câmbio abusivas e pulverizavam valores em criptomoedas

Foto: Reprodução/Pixabay
Uma manicure de 44 anos perdeu mais de R$ 1 milhão ao cair em um golpe de falso investimento na zona Leste de São Paulo. A moradora transferiu as economias de toda a sua vida para contas ligadas a uma suposta corretora offshore chamada ModMount, localizada no Chipre, após encontrar a empresa em uma rede social. As informações são da CNN.
A mulher, sem familiaridade com o mercado financeiro, iniciou os aportes em julho de 2025 com valores menores e chegou a realizar saques iniciais. A partir de setembro, contudo, as quantias enviadas aos criminosos aumentaram progressivamente.
Ao tentar retirar o dinheiro depositado, a trabalhadora recebeu a indicação de que novos aportes eram necessários para liberar o saldo. Sob pressão psicológica e com o objetivo de recuperar o montante acumulado, as transferências continuaram até que o prejuízo atingiu a marca de R$ 1,2 milhão.
Para realizar as transações, a vítima recorreu a empréstimos com familiares e terceiros:
- R$ 630 mil obtidos com o irmão;
- R$ 70 mil tomados com a chefe;
- R$ 140 mil solicitados ao chefe do marido.
O casal ainda utilizou R$ 60 mil mantidos em conta bancária, valor que também foi integralmente perdido no esquema.
Representantes legais da moradora informam que a estrutura usada contava com plataforma digital, atendentes e painel de simulação de rendimentos. Os valores recebidos acabaram pulverizados em diferentes contas e convertidos em criptomoedas.
“O golpe do falso investimento não ataca a inteligência da pessoa, ataca a confiança. Ele é construído para que qualquer um caia: começa pequeno, entrega os primeiros resgates e, quando a confiança está formada, escala”, afirma o advogado Danilo Pardi.
Durante as interações por aplicativo de mensagens, os suspeitos utilizavam nomes falsos, como “Dr. Epaminondas, gestor de projetos”. Diante do bloqueio dos valores, a vítima enviou apelos diretos ao grupo.
“Eu não tenho estrutura psicológica para passar por isso de novo”, relatou a trabalhadora em uma das mensagens. Em outra conversa, acrescentou: “Dr. Jesus me ajude. Não posso perder esse dinheiro que não é meu pelo amor de Deus. É tudo que tenho pra salvar meu patrimônio e de toda a minha família…”.
Um integrante do grupo, identificado como “Dr. Jesus”, exigiu R$ 132 mil sob a justificativa de cobrir uma “taxa de câmbio” bancária para manter a conta ativa. O caso foi registrado em boletim de ocorrência no dia 20 de julho e é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por meio do 21º Distrito Policial (Vila Matilde).
Fique informado com a RedeTV!
– Clique aqui para entrar no nosso canal de notícias no WhatsApp
noticia por : UOL


