Por que a Áustria quer ser o primeiro país da Europa a banir o islamismo da política

O chanceler austríaco Christian Stocker afirmou, no último dia 31, ser favorável à proibição do islamismo político por meio de uma lei constitucional. Em entrevista ao jornal Heute, ele explicou porque defende a medida: “Se o islamismo for interpretado sob uma perspectiva política, ele é incompatível com nossa democracia e com nossos valores ocidentais”.

Se a proposta avançar, a Áustria poderá se tornar o primeiro país europeu a proibir o islamismo na política — uma iniciativa que vai além das restrições já adotadas contra símbolos e organizações islâmicas.

A declaração formaliza uma posição defendida há meses pela direita liderada pelo Partido Popular Austríaco, o ÖVP, para quem a fé muçulmana, quando se manifesta como projeto político, não pode conviver com a estrutura constitucional do país. “Defendemos a liberdade religiosa: cada um pode acreditar no que quiser e praticar sua fé. Mas, quando a religião é instrumentalizada politicamente, precisamos nos opor com a máxima determinação”, acrescentou Stocker.

O anúncio foi feito vésperas da entrada em vigor, em 1º de setembro, da proibição do uso do véu islâmico nas escolas por meninas de até 14 anos, coincidindo com o início do ano letivo. A lei nasceu por iniciativa da ministra austríaca da Integração e da Família, Claudia Bauer, que classificou o véu como “não um símbolo religioso, mas de opressão”.