Lindsay Clancy: a mãe que matou os três filhos e rachou o feminismo americano

Um único jurado impediu, ao longo de sete dias, que Lindsay Clancy — enfermeira do setor de parto e pós-parto do Massachusetts General Hospital — fosse declarada penalmente irresponsável pelo estrangulamento dos próprios três filhos em janeiro de 2023. Na sexta-feira, 4 de setembro, o juiz William Sullivan, do fórum de Plymouth, no Massachusetts, declarou mistrial (anulação por impasse do júri).

Do lado de fora, mulheres de camiseta rosa com os dizeres Peace for Lindsay (paz para Lindsay) manifestavam-se pela absolvição. No TikTok, milhares de vídeos com a hashtag Me too Lindsay (eu também, Lindsay) mostravam mães chorando com os próprios filhos ao colo. Ao lado desse feminismo que quer ver Clancy como vítima do sistema de saúde e do patriarcado, outra parte do movimento tem alertado que canonizá-la reencena o velho argumento contra o qual o feminismo foi construído: o de que a biologia feminina é um fardo capaz de anular a capacidade de decisão.

Duxbury, 24 de janeiro de 2023

Na noite de 24 de janeiro de 2023, Lindsay Clancy, de 32 anos, pediu ao marido, Patrick Clancy, que fosse a um restaurante comprar comida. A promotoria de Plymouth sustenta que ela usou o aplicativo Apple Maps para calcular o tempo de deslocamento e ter certeza de que ficaria a sós com os filhos pelo intervalo necessário. Estrangulou os três com faixas de exercício: Cora, cinco anos; Dawson, três; Callan, oito meses.

Em seguida, jogou-se de uma janela do segundo andar. Sobreviveu com fratura na coluna e ficou permanentemente paraplégica. Patrick, ao voltar, encontrou os filhos. Pediu divórcio um ano depois e mudou-se para Nova York. Chamado a depor pela acusação em julho, diria em juízo que perdoou a ex-mulher e a considera, também, vítima da doença.