Disparada no preço do petróleo reaviva interesse por hidrogênio limpo

Os efeitos do choque deste ano no mercado de petróleo levaram governos de todo o mundo a voltar sua atenção para o hidrogênio limpo, apesar de ele ser mais caro que os combustíveis convencionais, segundo um dos maiores fornecedores do setor.

François Jackow, presidente-executivo da Air Liquide, afirmou que a empresa, sediada em Paris, conversou com autoridades em Bruxelas, capital da UE, na França, nos Países Baixos, no Japão e na Coreia do Sul sobre o uso de hidrogênio limpo como alternativa aos combustíveis fósseis, desde que o ataque dos EUA e de Israel ao Irã fez os preços do petróleo e do gás dispararem.

Em conjunto, os países importadores de energia “gastaram mais de US$ 100 bilhões além do previsto” com os preços inflacionados dos combustíveis nos dois primeiros meses do conflito, iniciado em fevereiro, afirmou ele, acrescentando um novo senso de urgência aos esforços para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

“O hidrogênio não é apenas uma forma de descarbonizar, mas também um elemento fundamental para garantir a segurança energética”, disse Jackow ao FT. “Os poucos bilhões necessários para realmente acelerar o ecossistema do hidrogênio parecem pouco diante do custo total sempre que há uma crise.”

O gasto adicional correspondeu ao aumento das contas de importação de combustíveis fósseis e ao custo de pacotes de auxílio, como cortes de impostos e subsídios, segundo a Air Liquide.

Esta não é a primeira vez que uma emergência do petróleo desperta maior interesse pelo hidrogênio. Um Cadillac movido a hidrogênio participou do desfile de posse do novo presidente dos EUA, Jimmy Carter, em 1977, após a crise do petróleo árabe.

O relatório anual do Hydrogen Council, publicado na quinta-feira (10), afirmou que US$ 130 bilhões já haviam sido destinados a projetos de hidrogênio limpo, dos quais 90% estavam em construção ou em operação.

Dois terços dos executivos do setor consultados pelo conselho concordaram que a segurança energética e a resiliência eram os principais fatores por trás do renovado interesse pelo combustível.

O hidrogênio é amplamente utilizado em refinarias para transformar petróleo bruto em combustíveis e produzir fertilizantes. Ele também pode ser usado para armazenar energia e alimentar veículos.

A maior parte do hidrogênio é produzida a partir de gás natural, em um processo que emite dióxido de carbono. Formas mais limpas são produzidas pela captura e pelo armazenamento dessas emissões ou pelo uso de energia renovável para separar a água em hidrogênio e oxigênio.

O chamado hidrogênio verde é a versão mais ecológica, mas também a mais cara de produzir.

O hidrogênio limpo pode permitir que os países reduzam sua dependência dos combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, apoiar a expansão da geração eólica, solar e nuclear.

“Mas também não é possível eletrificar tudo”, disse Jackow. “É aí que o hidrogênio entra em cena, nas indústrias difíceis de eletrificar”, como refino e transporte, prosseguiu, observando que a Coreia do Sul estava interessada em adotar o hidrogênio para abastecer sua frota de ônibus.

No entanto, mais da metade da capacidade de hidrogênio limpo atualmente planejada está na China, segundo o Hydrogen Council, enquanto o setor enfrenta dificuldades em outros países devido a “persistentes desafios de custos”.

Jackow alertou que o foco cada vez maior da China poderia permitir ao país assegurar uma posição dominante, a menos que a Europa acelerasse seus planos.

“O mundo já viu esse filme antes, com os veículos elétricos”, afirmou. “Precisamos construir várias cadeias de suprimentos; precisamos de soberania e resiliência.”

noticia por : UOL

domingo, 13, setembro , 2026 06:04
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