Leia o registro oficial da primeira eleição para presidente da República no Brasil

A primeira eleição presidencial da história do Brasil foi bem diferente do modelo atual. Não houve campanha nas ruas nem comício. Tampouco houve voto popular nem apuração pela Justiça Eleitoral. Tudo foi resolvido em poucas horas, dentro do Congresso Nacional instituído pela Constituição promulgada na véspera da votação.

A eleição ocorreu em 25 de fevereiro de 1891, pouco mais de um ano após a Proclamação da República, em meio à reorganização política do país. Desde novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca comandava o governo provisório, instalado após a queda da monarquia. A votação marcaria a passagem da monarquia para um governo constitucional, com a escolha dos primeiros presidente e vice-presidente sob as regras da nova ordem republicana.

A disputa ocorreu em um ambiente de tensão política. Fonseca concorreu à Presidência, enquanto setores da oposição apoiaram Prudente de Moraes, então presidente do Congresso Constituinte. A eleição também reservava uma particularidade: presidente e vice-presidente eram escolhidos em votações separadas, e não por uma única chapa. Desse modo, embora Deodoro tenha vencido a disputa presidencial com 129 votos contra 97 de Prudente, o vice escolhido foi justamente um dos principais nomes associados à oposição: o marechal Floriano Peixoto, eleito com 153 votos.

Concluída a apuração, o resultado foi proclamado na própria sessão legislativa, que teve como presidente o senador paulista Prudente de Moraes e como vice-presidente o deputado baiano Antônio Euzébio de Almeida. A rapidez também se estendeu à transição para o novo governo. A posse ficou marcada para o dia seguinte, 26 de fevereiro de 1891, em sessão solene do Congresso. Menos de 48 horas depois da promulgação da primeira Constituição republicana, o país já tinha seus primeiros presidente e vice-presidente eleitos sob a nova ordem constitucional.