Diretora brasileira tem trabalho escolhido para clipe do Coldplay

Quando a diretora e produtora brasileira Camila Guerreiro recebeu uma ligação dizendo que ela tinha sido escolhida para fazer parte de um projeto do Coldplay, a sua primeira reação foi de dúvida: “O Coldplay? Tem certeza?”, lembra ela, entre risos, à coluna.

Era a banda britânica mesmo. E o resultado pode ser conferido desde a manhã desta quarta-feira (22) no YouTube: Camila é um dos 24 diretores, de diversos lugares do mundo, responsáveis pelo vídeo “A Film for the Future”, um complemento audiovisual do álbum recém-lançado pelo grupo, “Moon Music”.

A contribuição de Camila aparece a partir do minuto 3:56 do clipe. São imagens capturadas por ela na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, que mostram três freiras molhando os pés no mar.

A cena tinha sido gravada pela diretora às vésperas do Natal de 2023. Ela conta que estava correndo na praia com uma amiga e, ao parar para tomar uma água de coco, viu uma movimentação diferente perto dali. “Larguei o que estava fazendo e falei para a minha amiga: ‘Preciso correr que está acontecendo uma coisa que parece muito impressionante ali.'”

Toda a filmagem foi feita com o celular de Camila, um iPhone. Essa é, aliás, uma característica do trabalho dela. A ideia é a de conseguir registrar, de forma rápida e sem grandes produções, cenas do cotidiano que chamam a sua atenção.

No caso das freiras, ela revela que, em um primeiro momento, se manteve mais distante para não incomodar. Depois, foi percebendo que poderia se aproximar. “Fui chegando perto, sorri para elas, elas sorriram para mim. Entendi que elas sabiam que aquilo era algo diferente. Fiquei um tempão lá até conseguir os vídeos e as fotos que queria. E elas ficaram super de boa.”

Camila diz que conversou com as mulheres, que contaram que moravam ali na frente, em uma congregação religiosa e que estavam de folga e foram se divertir, molhar o pé, brincar com as ondas.

Ela publicou o vídeo no seu Instagram pessoal. Quando uma pessoa que já tinha atuado com Camila a indicou para fazer parte do projeto do Coldplay, e eles conheceram mais do trabalho dela, o vídeo das freiras foi algo que logo chamou a atenção da banda, segundo relata a diretora.

Na conversa com os produtores do clipe, Camila conta que teve acesso a poucas informações, apenas um pequeno briefing do que era o projeto e o trecho de 15 segundos pelo qual ela seria responsável. “Eu recebi só o instrumental, sem a voz, sem a letra e ainda sem estar finalizado.” Ela também não sabia quem eram os outros diretores. Tudo fazia parte de uma estratégia para que nada sobre a proposta vazasse antes do tempo.

Camila relata que mandou três opções de vídeos. “Depois que eles escolheram o das freiras, eles falaram que muitos mandaram imagens de mar ou de crianças, mas que o meu era uma coisa muito inusitada.”

A diretora relata que só pôde ver o resultado final do trabalho junto com os outros espectadores, nesta quarta, quando o projeto foi lançado no YouTube.

“Eu estava muito curiosa e gostei do resultado. Vi um vídeo do Chris [Martin, vocalista da banda] no Instagram dizendo que esse foi o trabalho mais incrível que ele fez na vida e falei: ‘Uau’.”

Como não podia contar para ninguém sobre o projeto, Camila revela que, desde que o clipe saiu, o seu telefone não para de receber ligações e mensagens a parabenizando. Ela diz esperar que esse trabalho possa abrir portas para outros projetos.

Depois de sete anos morando em Londres, onde concluiu em 2022 o mestrado em direção de documentário na concorrida National Film Television School, a diretora voltou a morar em São Paulo no ano passado. Camila atuou por mais de uma década em projetos de moda e beleza. Foi a responsável, por exemplo, pela criação da TV Vogue no Brasil.

“Fiz esse mestrado porque quero seguir trabalhando com moda e beleza, mas mais para o cinema, como uma criadora mesmo.”

Um dos seus projetos para este ano é desenvolver uma série a partir do curta “The Violence Between Us”, que fez como conclusão do seu mestrado e que foi indicado em festivais e ao prestigioso Bafta. O filme retrata como funciona a ronda Maria da Penha em Salvador, trabalho desenvolvido pela polícia de prevenção e proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.

“Tem uma produtora brasileira muito interessada em transformar em série”, adianta.

com IVAN FINOTTI (Interino), KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH


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noticia por : UOL

sexta-feira, 26, junho , 2026 08:40
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