Ela também contou ao UOL que não consegue atendimento médico para as dores diárias e que a penitenciária não permite que ela faça exames, mesmo que ela pague do seu bolso. A família providencia os hormônios que deve tomar regularmente.
“O diclofenaco [analgésico] ameniza as pontadas, mas não resolve”, disse. “E uma pessoa normal não tem que tomar remédio para dor todos os dias da vida, né? Fico preocupada porque eu já tive nódulos [nos seios], já fui operada.”
Condenada no Brasil, ela foi presa em 28 de novembro na Argentina. Ana Paula esteve numa primeira ala da Penitenciária Feminina de Ezeiza durante três meses. “Já aconteceu de roubarem coisas minhas: roupas, comida, créditos de telefone.” Sem dar detalhes, Ana Paula disse que, nessa ala, foi ameaçada de morte por uma detenta que ela julga que estava sob efeito de drogas. A segunda intimidação partiu de outras duas presidiárias, uma delas processada por assassinato.
Dias depois das ameaças, Ana Paula diz que teve uma crise de pânico e desmaiou. Relatou que foi levada ao centro médico da penitenciária, onde ficou três dias. Ela foi retirada dali e levada a uma segunda ala.
A Justiça negou a soltura de Ana Paula, argumentando que havia perigo de fuga. A defesa dela pretende recorrer e alega que a legislação local impede extradição em caso de perseguição política. “Essas pessoas não são delinquentes comuns: são perseguidos políticos”, defendeu o advogado Pedro Gradin. Já a Promotoria da Argentina entende que não há dúvidas de que os cinco fugiram do Brasil e que há provas robustas dos crimes cometidos.
Gradin, advogado de Ana Paula e Borges, afirmou que a situação carcerária na Argentina é de colapso. “Há pessoas que necessitam de assistência médica e passam meses sem ter consultas”, disse ele, citando informações da Procuradoria Penitenciária Nacional, órgão independente do Legislativo.
noticia por : UOL


