Mulheres na quebrada: Liderança, empreendedorismo e transformação social

E não para por aí. Tem também quem transforma a cozinha em trincheira de oportunidades, como o GastroFavela Brasil, que capacita e incentiva mulheres a empreender na gastronomia local, mantendo vivas receitas que contam a história da comunidade. Ou quem olha para a terra e cultiva muito mais que alimento, como faz o AgroFavela Refazenda, criando espaços de cultivo comunitário que são, ao mesmo tempo, hortas, salas de aula e redes de apoio.

Na comunicação e na cultura, a força feminina também está abrindo novos caminhos. A jornalista Gisele Alexandre, por exemplo, criou a Pauta Periférica, plataforma que amplia as vozes da favela e conecta histórias, dados e projetos que nascem dentro da quebrada. É jornalismo feito por quem vive a realidade e entende o impacto de contar essas histórias do jeito certo. Além disso, a Pauta Periférica vai além da notícia: também produz conteúdo cultural e ações que fortalecem a identidade periférica.

No Rio de Janeiro, a ativista Cris dos Prazeres segue o mesmo caminho de transformação com o Instituto Evolux. O projeto oferece cursos, oficinas e oportunidades para mulheres e jovens da comunidade, mostrando que educação e cultura podem ser ferramentas reais de mudança. Mais do que capacitar, o Evolux inspira e fortalece quem muitas vezes foi desacreditado pelo sistema.

O que une todas essas histórias é algo maior: o empoderamento feminino que nasce do pertencimento, da coragem e da necessidade de transformar o presente para garantir um futuro melhor. É quando uma mulher da favela descobre que pode empreender que ela também descobre que pode liderar, influenciar e mudar vidas – a começar pela dela.

Moda sustentável, jornalismo comunitário, gastronomia de raiz, agricultura urbana, formação cultural… mais do que tendência, são caminhos que mostram que o futuro da favela passa pelas mãos dessas mulheres. Elas não esperam convite para entrar no mercado: elas criam o próprio mercado, geram renda local, mantêm a cultura viva e ainda inspiram outras mulheres a fazerem o mesmo.

É essa favela que a gente acredita, que a gente constrói todos os dias: uma favela que cria.

noticia por : UOL

segunda-feira, 27, julho , 2026 08:51
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