Desde a semana passada, quando foi anunciado que a transmissão da Fórmula 1 deixará a Band e voltará para a Globo em 2026, Mariana Becker conta que recebe cerca de 80 mensagens por dia pelas suas redes sociais. São, em sua maioria, telespectadores ansiosos para saber se a jornalista, que faz a cobertura da modalidade na TV brasileira há quase 20 anos, seguirá contando as histórias do esporte.
Mariana diz que o seu futuro ainda é incerto. “Estou tratando como a despedida do projeto da Band da Fórmula 1, que foi maravilhoso. Agora, se é a minha despedida das pistas, eu ainda não sei”, diz ela, que conversou com a coluna direto de Mônaco, onde mora.
Ela afirma que o seu desejo é continuar na Fórmula 1, desde que seja em condições para “fazer o meu trabalho direito”, de forma aprofundada e aplicando o conhecimento que possui após tanto tempo mergulhada no assunto. Uma possível volta para a Globo não é descartada, assim como possibilidades de projetos que envolvam a internet ou outros meios.
“Eu teria muito prazer em continuar porque gosto [do que faço]. O próprio Hamilton [o piloto Lewis Hamilton] um dia me perguntou: ‘Você não cansa?’. Eu falei: ‘Às vezes até canso, mas tem tenta história aqui, que eu acabo pegando ar de novo e indo.”
“Ainda estou muito curiosa. Acho que na hora que eu começar a ficar meio de saco cheio, ‘ah já sei o que você vai falar’, aí já deu”, acrescenta.
Para Mariana, o momento é de ter calma, de deixar as coisas se assentarem para tomar as melhores decisões. “Eu não me dou ao luxo de ficar muito ansiosa, no desespero. Tenho ainda metade dessa temporada com 500 coisas acontecendo”, afirma. “Estou vivendo uma encruzilhada. E a minha encruzilhada tem mais do que quatro caminhos. Estou observando as possibilidades, vendo o que eu gosto, o que eu posso fazer, onde as pessoas me querem, porque não é só uma vontade minha”, prossegue.
A jornalista ingressou na Fórmula 1 em 2007, quando a Globo, então dona dos direitos de transmissão, queria colocar uma mulher na transmissão. Fez a pré-temporada da modalidade naquele ano, e metade da cobertura do circuito de 2008. Depois não saiu mais das pistas.
Em 2021, com a mudança da transmissão das corridas para a Band, ela também trocou de casa. Os cinco anos na emissora, diz Mariana, foram um marco na sua carreira. “Pude me mostrar mais, mostrar mais o que eu faço e com um prazer imenso.”
Mariana afirma que tem tentado não se deixar “carregar pelo clima de despedida”, mas admite que está difícil segurar a emoção diante das manifestações carinhosas dos telespectadores. “Recebi muitas mensagens e vídeos de situações que eu nem me lembrava mais, entrevistas minhas com pilotos, eu subindo em algum lugar para mostrar alguma coisa. E gente me dizendo, ‘pô, eu aprendi a gostar de Fórmula 1 com você’.”
“Me emociona porque eu faço parte da vida dessas pessoas, mas elas também fazem parte da minha vida”, diz.
A jornalista diz que já tem pensado, ainda que não a agrade, sobre a hipótese de realmente ter que deixar a cobertura da Fórmula 1. Como afirma “gostar de gente”, uma das possibilidades seria ter um programa de entrevistas.
“Não tenho mais vontade de fazer a loucurada do dia a dia [do jornalismo]. Já fiz muito. Já cobri ataque terrorista, tudo que você pode imaginar.”
“Quero ter o tempo de olhar para os outros, olhar para as coisas. O que as pessoas elogiam tanto nas minhas coberturas e nas crônicas que escrevo é esse olhar humano, o olhar para o detalhe.”
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noticia por : UOL


