Negociações do tratado contra poluição de plástico fracassam

Os países que negociaram para tentar alcançar o primeiro acordo internacional contra a poluição por plásticos não conseguiram chegar a um consenso, disseram diplomatas nesta sexta-feira (15), expressando desapontamento e até raiva.

Os participantes buscavam um avanço nas negociações estagnadas da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, mas os estados que defendiam um tratado ambicioso disseram que o último texto divulgado nas primeiras horas desta sexta não atendeu às expectativas.

A ministra francesa da Ecologia, Agnes Pannier-Runacher, disse na sessão de encerramento que estava “enfurecida porque, apesar dos esforços genuínos de muitos e do progresso real nas discussões, nenhum resultado tangível foi obtido.”

Em uma aparente referência às nações produtoras de petróleo, o delegado da Colômbia, Haendel Rodriguez, disse que um acordo havia sido “bloqueado por um pequeno número de estados que simplesmente não queriam um acordo.”

O caminho para a continuidade das negociações é incerto.

Alguns países, como a Grã-Bretanha, disseram que as negociações deveriam ser retomadas, mas outros descreveram um processo complexo.

“Está muito claro que o processo atual não funcionará”, disse o delegado da África do Sul.

Mais de 1.000 delegados se reuniram em Genebra para a sexta rodada de negociações, após uma reunião do Comitê Intergovernamental de Negociação na Coreia do Sul, no final do ano passado, terminar sem um acordo.

As negociações entraram em tempo extra nesta quinta-feira (14), enquanto os países se esforçavam para superar divisões sobre a extensão das futuras restrições.

Diplomatas e defensores do clima haviam alertado no início deste mês que os esforços da União Europeia e de pequenos estados insulares para limitar a produção de plástico virgem – alimentada por petróleo, carvão e gás- estão ameaçados pela oposição de países produtores petroquímicos e dos EUA sob o presidente Donald Trump.

“Claro que não podemos esconder que é trágico e profundamente decepcionante ver alguns países tentando bloquear um acordo”, disse o ministro do Meio Ambiente dinamarquês, Magnus Heunicke, em nome da União Europeia. Ele disse que o tratado é necessário para enfrentar “um dos maiores problemas de poluição que temos na Terra” e prometeu mais esforços para chegar a um acordo.

“Continuaremos trabalhando até termos um tratado que nos ajude a resolver o problema”, afirmou.

As questões mais difíceis incluem a limitação da produção, o gerenciamento de produtos plásticos e produtos químicos preocupantes, e o financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a implementar o tratado.

noticia por : UOL

domingo, 2, agosto , 2026 05:19
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