Comandante da Otan fala em possível 'ataque preventivo' contra a Rússia e Moscou rebate ameaça


A Rússia classificou as declarações dadas pelo oficial militar de mais alta patente da Otan, sobre um possível “ataque preventivo” contra o país, como “extremamente irresponsáveis ​​e uma tentativa de escalada do conflito” nesta segunda-feira (1º).
Em entrevista ao “Financial Times”, o almirante Giuseppe Cavo Dragone afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte estava considerando “ser mais agressiva contra a guerra híbrida” promovida por Moscou e que a ofensiva poderia ser considerada uma “ação defensiva”.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou as falas como “um passo extremamente irresponsável”, indicando a indisposição da aliança pela paz.
“Vemos nisso uma tentativa deliberada de minar os esforços para superar a crise ucraniana. As pessoas que fazem tais declarações devem estar cientes dos riscos e das possíveis consequências, inclusive para os próprios membros da aliança”, declarou.
Proposta de paz dos EUA
Delegações da Rússia e dos EUA fazem reunião nos Emirados Árabes e discutem plano de paz para Ucrânia
O plano de paz de 28 pontos apoiado pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia baseou-se em um documento de autoria russa apresentado ao governo Donald Trump em outubro. A informação é de reportagem publicada nesta quarta-feira (26) pela agência de notícias Reuters, com base em três fontes das negociações para o fim da guerra.
Representantes do governo de Vladimir Putin compartilharam o documento, que delineava as condições de Moscou para o fim da guerra, com membros do governo dos EUA em meados de outubro, disseram as fontes.
O envio ocorreu após uma reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Washington.
O rascunho, uma comunicação não oficial conhecida na linguagem diplomática como um “não-documento”, continha trechos que o governo russo já havia apresentado à mesa de negociações, como a cessão de uma parte do leste da Ucrânia.
Esta é a primeira confirmação de que o documento – cuja existência foi inicialmente relatada pela Reuters em outubro – foi um elemento-chave no plano de paz de 28 pontos.
O Departamento de Estado dos EUA e as embaixadas da Rússia e da Ucrânia em Washington não se manifestaram sobre a acusação.
Enviado dos EUA irá a Moscou
Pessoas observam prédio residencial destruído após ataque russo em Ternopil, no oeste da Ucrânia, em 19 de novembro de 2025.
AP Photo/Vlad Kravchuk
Também nesta quarta, o Kremlin confirmou que o enviado dos EUA para as negociações, Steve Witkoff, viajará a Moscou na próxima semana para se reunir com Vladimir Putin e tentar concluir um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia.
Trump anunciou que seu enviado especial discutirá com o presidente da Rússia “alguns pontos de desacordo”.
Em uma mensagem na rede Truth Social, Trump informou que se reunirá com Putin e Zelensky somente “quando o acordo para terminar com esta guerra esteja concluído ou tenha alcançado as fases finais” de negociação.
Trump também apoiou Witkoff depois que a agência de notícias Bloomberg revelou uma conversa telefônica na qual Witkoff aconselha um assessor de Putin sobre como dialogar com o presidente americano sobre o conflito na Ucrânia. O presidente disse que não havia ouvido a gravação, mas a classificou como “uma forma padrão de negociação”.
No fim de semana, representantes de Washington, Kiev e seus aliados europeus se reuniram em Genebra para discutir o controverso plano inicial de Trump de 28 pontos. Desde então, as negociações se intensificaram.
“Vamos conseguir”, afirmou Trump na terça-feira. “Estamos muito perto de um acordo”.
O plano inicial dos Estados Unidos, considerado muito favorável à Rússia, foi substituído por outro que leva mais em consideração os interesses da Ucrânia. Um funcionário de alto escalão do governo ucraniano disse à AFP que a nova versão é “significativamente melhor”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afastou a ideia de uma solução rápida e disse que “não há vontade, por parte da Rússia”, de um cessar-fogo ou para negociar a nova proposta, mais favorável à Ucrânia.
O secretário do Exército americano, Dan Driscoll, se reuniu com representantes russos em Abu Dhabi e disse que “as conversações caminham bem”. Agora, ele pretende se reunir com os ucranianos.
Apesar das negociações, a guerra, que começou com a invasão russa da Ucrânia em 2022, prossegue. Em Kiev, uma nova onda de drones e mísseis russos deixou pelo menos sete mortos na madrugada de quarta-feira.
Na cidade de Zaporizhzhia, no sul do país, um ataque russo durante a madrugada deixou pelo menos 18 feridos, segundo a administração militar da região.
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‘Entendimento’
Trump anunciou inicialmente que a Ucrânia teria que aprovar seu plano até quinta-feira (27), Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.
O plano inicial incluía várias exigências russas, como a proibição de adesão da Ucrânia à Otan e a exigência de cessão de novos territórios à Rússia. Mas a versão foi modificada levando em consideração os interesses da Ucrânia.
Uma fonte ucraniana que acompanha as negociações disse à agência de notícias AFP que o novo rascunho permite que Kiev manter um Exército de 800.000 soldados, em vez de 600.000.
O negociador ucraniano Rustem Umerov afirmou, por sua vez, que com os Estados Unidos há um “entendimento comum sobre o essencial” do plano, mas que os detalhes precisam ser resolvidos em conversas diretas, “na data mais adequada”, entre os presidentes Zelensky e Trump.
O Exército russo ocupa quase 20% do território da Ucrânia, amplamente devastada pelos combates. Dezenas de milhares de civis e militares morreram e milhões fugiram do leste do país.
Ivan Zadontsev, sargento das forças ucranianas, se mostra cético diante das negociações. “Estamos cansados da guerra”, declarou à AFP. Ele teme que a proposta inicial dos Estados Unidos represente uma “paz ruim”.
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Fonte: G1

sexta-feira, 20, março , 2026 02:09
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