Morre João Adolfo Hansen, crítico literário e professor de literatura nacional da USP

O professor da USP João Adolfo Hansen, crítico literário e docente do departamento de letras clássicas e vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), morreu aos 83 anos em função de um câncer. A morte foi divulgada pelo Jornal da USP, em nota publicada na internet.

“A direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP manifesta imenso pesar e sentimento de solidariedade às e aos familiares, bem como a todas as pessoas da nossa comunidade que conviveram com o querido colega”, afirmou a publicação.

Ex-diretor da FFLCH, crítico literário e aluno de Adolfo Hansen, Paulo Martins descreve uma relação que foi além da sala de aula e se transformou em amizade. “Lembro de cada uma das aulas dele com o sabor de uma aula bem dada, daquelas que te enriquecem e do tipo que nem todos conseguem oferecer”, diz ele.

“Ele jogou luz sobre outra face da literatura colonial, crítico a pensadores que não a classificavam como brasileira e àqueles que insistiam em investigá-la exclusivamente pelo olhar do século 19”, adiciona.

“Ele era um amigo de muita liberalidade, sempre disposto a te receber, e fez tudo que poderia ter feito”, afirma Martins. “Ele deixa ex-alunos no Brasil inteiro, deixa ex-alunos no exterior, tendo sido professor em lugares como Stanford, na Califórnia, Chicago, Lisboa, Espanha, entre muitos outros, e deixa um legado como interlocutor fundamental de outras figuras importantíssimas para as ciências humanas.”

Nascido em 1942, Adolfo Hansen se formou em letras anglo germânicas pela PUC-Campinas em 1964, era mestre em literatura brasileira pela FFLCH, com tese sobre “Grande Sertão: Veredas“, do autor Guimarães Rosa, e doutor em literatura brasileira pela USP, com dissertação sobre o poeta Gregório de Matos.

Ao longo de sua carreira, o professor se dedicou especialmente a estudos sobre a literatura brasileira, colaborou com esta Folha com críticas e resenhas literárias e escreveu diferentes livros, tendo vencido o prêmio Jabuti, em 1990, por “A Sátira e o Engenho: Gregório de Matos e a Bahia do Século XVII”, escrito a partir de sua tese de doutorado, e o grande prêmio da crítica da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), por “Gregório de Matos (5 Volumes)”.

Poeta, astróloga e filha de Adolfo Hansen, Júlia de Carvalho Hansen descreve o pai como grande orador, admirado por diversos alunos. Ela diz acreditar que os estudos clássicos do professor, que trouxeram a ele conhecimentos amplos sobre retórica, foram essenciais para sua boa relação com aqueles que ensinava.

“As salas não davam conta da quantidade de alunos que buscavam acompanhar suas aulas. Ele sabia combinar a erudição com a simplicidade e nunca subestimava o seu interlocutor, tendo sempre em mente que todos, independente da classe social e cultural, mereciam ser educados da mesma forma”, adiciona ela, que descreve Adolfo Hansen como alguém muito vivo, que cresceu cercado por plantas e animais.

“Meu pai partia do princípio de que todos eram ainda mais inteligentes do que ele, e a excelência desses gestos fazia as pessoas ficarem fascinadas por ele.”

Nos últimos tempos, ele atuava como professor titular aposentado da FFLCH e recebera o título de professor emérito. O velório de Adolfo Hansen será aberto e acontecerá nesta terça-feira (17), a partir das 10h, no salão nobre do prédio de administração da FFLCH. Ele será cremado nesta quarta-feira (18), no Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, no interior de São Paulo.

O professor e crítico literário deixa a esposa Marta Maria Chagas de Carvalho, professora de história da educação da USP, a filha Júlia e outros três filhos, Laura Hansen, Alexandre de Carvalho Tinoco e André de Carvalho Tinoco.

noticia por : UOL

segunda-feira, 16, março , 2026 09:37
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