ANA JÁCOMO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), comentou na sexta-feira (20) sobre o atual cenário da política nacional, marcado pela divisão ideológica. Ele classificou como “lamentável” o fato de o eixo central da discussão eleitoral no Brasil ter se resumido à escolha entre candidatos de direita ou de esquerda, deixando de lado a avaliação técnica dos candidatos. (Veja o vídeo no final da matéria).
Mendes argumentou que a polarização desvia o foco dos problemas estruturais que o país enfrenta. Para o governador, as pessoas podem ter suas preferências ideológicas, mas a prioridade deveria ser identificar quem está mais preparado para enfrentar os desafios de governar e gerir a economia, que, segundo sua análise de indicadores federais, aponta para um cenário de instabilidade nos próximos anos.
“Eu acho lamentável que, no Brasil, nós tenhamos colocado como eixo central da discussão política ser direita ou ser esquerda. É muito mais importante você tentar entender quem são as pessoas mais preparadas para enfrentar o enorme desafio que é governar um país. Na minha opinião, o Brasil caminha para enfrentar uma grave crise nos próximos anos. O que fazer para não deixar o Brasil tomar o mesmo caminho que a Argentina tomou há alguns anos?“, questionou Mauro Mendes.
O chefe do Executivo estadual reforçou que os números da economia federal não são positivos e que a discussão deveria ser centrada em soluções práticas para evitar um colapso financeiro futuro. Mendes finalizou destacando que prefere estar errado em sua previsão pessimista, mas que os dados atuais exigem uma postura mais centrada e menos ideológica por parte das lideranças e do eleitorado.
O tabuleiro de xadrez
A polarização política entre o lulismo e o bolsonarismo reflete em Mato Grosso como um verdadeiro “tabuleiro de xadrez” para as eleições de 2026. Por aqui, o campo da direita vive um momento de fragmentação e disputa interna para definir quem herdará o espólio político do setor produtivo e dos conservadores.
O senador Wellington Fagundes (PL) e o vice-governador Otaviano Piveta (Republicanos) movimentam-se para herdar o apoio dos bolsonaristas na corrida pelo Governo do Estado. A busca por um candidato único de direita enfrenta resistências devido a projetos pessoais deles, o que pode pulverizar os votos e abrir espaço para candidaturas de centro ou esquerda que consigam apresentar um discurso de união regional.
De surpresa, o apresentador Ratinho apareceu no Palácio Paiaguás nesta sexta-feira (20) dando apoio declarado às pretensões eleitorais do grupo governista em Mato Grosso. Ratinho oferece a “capilaridade popular” necessária para furar a bolha do agronegócio e chegar às classes C e D, onde o carisma dele é inquestionável.
Ao dizer que votaria em Mauro para o Senado e que apoia quem ele indicar ao Governo, Ratinho envia o recado de que o atual grupo detém o selo de aprovação da direita nacional “raiz”, pressionando o PL a caminhar junto ou arriscar o isolamento em uma disputa contra a máquina estadual e o apoio midiático dele.
Veja o vídeo:
FONTE : ReporterMT



