ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
Uma pesquisa coordenada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), revelou a presença da bactéria Salmonella spp. em ambientes de produção de peixes nativos no Centro-Oeste.
O estudo, divulgado em 24 de março, apontou que o patógeno estava presente em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, que é o principal polo produtor dessas espécies no Brasil.
O monitoramento foi realizado em viveiros nos biomas Pantanal e Cerrado, analisando 184 amostras de peixes, água, sedimentos, ração e fezes de animais.
A Salmonella é uma bactéria capaz de causar infecções gastrointestinais graves em seres humanos, geralmente transmitida pelo consumo de alimentos ou água contaminados.
Os principais sintomas da salmonelose incluem náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia persistente, febre e dor de cabeça. Embora o risco seja reduzido drasticamente pelo cozimento adequado do pescado (acima de 70°C), a vigilância é essencial para evitar que o patógeno chegue à mesa do consumidor.
A pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa, explica que a detecção precoce desses pontos de contaminação é fundamental para adotar medidas preventivas que garantam a segurança do alimento e a sustentabilidade do setor.
Yuri Porto
O peixe passa por processamento industrial e cozimento, o que reduz os riscos de contaminação.
Fatores de contaminação
As análises identificaram 10 sorotipos diferentes da bactéria, com predominância dos tipos Saintpaul e Newport. Embora tenham sido detectados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, não foram encontradas cepas multirresistentes ou tipos associados a surtos humanos graves, como a Typhi.
Segundo a professora Luciana Savay-da-Silva, da UFMT, o fácil acesso de animais silvestres (como jacarés e capivaras), aves e animais domésticos aos tanques torna a contaminação da água e do solo quase inevitável.
O estudo também mostrou que a incidência da bactéria é maior no período seco e se concentra principalmente nas vísceras dos peixes.
Yuri Porto
O estudo aponta que nenhuma das cepas avaliadas apresentou sorotipos da bactéria associados a surtos humanos graves.
Segurança no consumo
Apesar dos dados de campo, os pesquisadores ressaltam que a presença da bactéria no viveiro não significa que o produto final chegará contaminado à mesa. O controle sanitário nos frigoríficos, o processamento industrial e, principalmente, o cozimento correto eliminam os riscos.
“Os controles sanitários e o cozimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco“, pontua Fogaça. Uma das sugestões dos especialistas para a indústria é inverter etapas do processamento, realizando a retirada das vísceras antes da lavagem hiperclorada para aumentar a eficiência da limpeza.
Dicas para um consumo seguro:
– Mantenha o peixe refrigerado (até 4 °C) ou congelado.
– Lave bem as mãos e utensílios após manipular o peixe cru para evitar a contaminação cruzada.
– Certifique-se de que o pescado seja cozido completamente (temperatura interna acima de 70 °C).
– Prefira sempre produtos com selo de inspeção sanitária.
FONTE : ReporterMT



