Mortes: Educador que levou música e imaginação à TV infantil

Você provavelmente ainda não conhece José Adolfo Moura. Se nasceu nos anos 2000, porém, ele fez parte da sua vida.

Em 2006, foi o idealizador do “Dango Balango”, programa infantil da Rede Minas. A produção foi exibida nacionalmente pela TV Cultura de 9 de dezembro de 2006 a 4 de abril de 2009, além de ir ao ar na TV Rá-Tim-Bum entre 2007 e 2009.

Nascido em 1942, em Oliveira (MG), Moura construiu a carreira entre a música, sua área de formação inicial, a educação e a gestão cultural. Foi professor da Escola de Belas Artes da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), onde também atuou como diretor.

Essa trajetória acadêmica começou nos anos 1960, quando participou da criação do Festival de Inverno da UFMG, em Ouro Preto, um dos principais espaços de formação artística do país. O evento se consolidou como ponto de encontro de estudantes, professores e artistas, marcando diferentes gerações ligadas à universidade.

Moura teve uma atuação marcada pela integração entre ensino e prática artística. Na educação, adotava abordagens que valorizavam a participação ativa dos alunos, com uso de corpo, movimento e improvisação como parte do aprendizado —perspectiva que também orientou projetos na televisão e em iniciativas culturais.

Além da carreira na academia, ocupou funções na gestão pública. Foi secretário-adjunto de Cultura de Belo Horizonte entre 1989 e 1992, período em que trabalhou na formulação de políticas voltadas à produção e difusão artística.

Nesse extenso currículo, sua obra magna foi “Dango Balango”. O programa combinava música da banda Pato Fu, teatro de bonecos do grupo Giramundo e narrativas curtas, com foco em linguagem artística e educativa. Tornou-se referência fora do circuito comercial e manteve, ao longo dos anos, uma proposta voltada à experimentação e à valorização da cultura.

O tema de abertura, que rimava o título com expressões inusitadas —como “bunda de calango” e “mão de pernilongo”—, virou um hit infantil na década passada.

Moura ainda teve outras aventuras no audiovisual. Dirigiu, entre vários projetos, o documentário “Nascimento, Paixão e Morte Segundo Pipiripau” (1989), sobre a tradicional montagem religiosa de Belo Horizonte.

José Adolfo Moura morreu no dia 27 de março de 2026, aos 83 anos, em Belo Horizonte, após uma parada cardíaca.

Deixa a mulher, Cecília, e dois filhos e um legado que ultrapassou os limites acadêmicos, “alcançando amplamente a sociedade e história da cultura brasileira”, como destacou a direção da Escola de Belas Artes da UFMG.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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noticia por : UOL

segunda-feira, 10, agosto , 2026 04:20
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