Mas a imagem bizarra de parlamentares do PT celebrando o fim da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, sorridentes e fazendo o L, fala mais do que qualquer narrativa. Desde quando as fraudes vieram à tona, o governo, os petistas e seus aliados trabalharam contra o funcionamento da CPMI. O governo chegou, inclusive, a pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para não obrigar o Congresso a prorrogar seu funcionamento, como queria a oposição, em linha com a jurisprudência firmada pela Corte na época da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado.
É certo que, para minar as investigações, eles contaram com o apoio de lideranças do Congresso e de parlamentares do Centrão, cujas digitais surgiram durante as investigações. Contaram também com a colaboração do STF, que impediu quebras de sigilo e depoimentos considerados fundamentais para as investigações, como os de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico —filho e irmão do presidente— por suas ligações com Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, acusado de ser o grande articulador das falcatruas.
Embora as fraudes tenham crescido no governo Bolsonaro, elas começaram em 2015, segundo apuração da CPMI, em valores bem menores. Foi no governo Lula que elas explodiram. Saltaram de R$ 706 milhões em 2022 para R$ 1,3 bilhão em 2023 e R$ 2,8 bilhões em 2024, segundo dados da própria CGU (Controladoria-Geral da União), expondo a falta de controle e de fiscalização por parte do INSS e do Ministério da Previdência.
O governo Bolsonaro até tentou endurecer as regras do jogo, mas o PT foi o primeiro a gritar contra. Em 2019, ele editou uma Medida Provisória (MP 871), para reforçar o controle sobre a concessão de auxílio-reclusão e de pensões, que previa também a obrigatoriedade da revalidação anual dos descontos associativos realizados nos benefícios dos aposentados. Parlamentares do PT, de outros partidos de esquerda e do Centrão, no entanto, conseguiram afrouxar o dispositivo, que foi revogado totalmente em 2022, abrindo mais espaço para as fraudes.
Quando Bolsonaro vetou a suspensão da prova de vida presencial obrigatória, eles derrubaram o veto no Congresso, alegando que era “uma perseguição aos idosos”. O mesmo aconteceu quando ele quis impedir a farra dos cartões de benefícios, que facilitavam as fraudes das associações e dos sindicatos no INSS, sob a alegação de que iria “tirar o acesso ao crédito” dos mais pobres. Até contra o projeto que permitiria o cruzamento de dados para detectar fraudadores eles votaram.
5. “O escândalo do Banco Master é o ‘ovo da serpente’ de Bolsonaro e de Campos Neto”
Assim como no caso das fraudes do INSS, Lula, o PT e seus aliados estão fazendo o que podem —e o que não podem— para emplacar a narrativa de que o escândalo do Banco Master é culpa do Bolsonaro e de Roberto Campos Neto, ex-comandante do Banco Central, como fica evidente na frase dita recentemente pelo presidente.
noticia por : UOL


