Há séculos, historiadores e cientistas buscam provas que confirmem a veracidade de relatos presentes na Bíblia. Uma dessas histórias é a da Arca de Noé, cujo paradeiro final após o dilúvio é descrito no livro sagrado como o topo do Ararat – a montanha mais alta da Turquia. Para um grupo de pesquisadores dos EUA, há evidências sólidas que confirmariam ser mesma essa a região do fim da viagem da arca.
Mais exatamente, o grupo liderado pelo pesquisador Andrew Jones afirma que o ponto final da Arca de Noé é a Formação Durupinar, localizada a aproximadamente 30 km ao sul do Ararat. Essa formação geológica foi descoberta por um militar turco no final dos anos 1950, o capitão İlhan Durupınar, após fortes chuvas registradas na região uma década antes.
Há anos a região é alvo de estudos, que ganharam força a partir do século XIX, mas o reforço de que a Arca de Noé possa ter “escorregado” do topo do Ararat para o local onde hoje há a Formação Durupinar foi feito em meados de março. As descobertas mais recentes foram tornadas públicas por Jones em entrevista ao jornal britânico GB News no último dia 20 de abril.
Para chegar à conclusão de que ali está a verdadeira Arca de Noé, a equipe do pesquisador processou dados obtidos por equipamentos de tecnologia avançada, como scanners 3D baseados em laser de alta precisão e radares de alta resolução que conseguem “enxergar” o que há debaixo da terra.
A análise dos dados obtidos pelos equipamentos sugere, segundo o time de Jones, que debaixo da Formação Durupinar estão os restos do que um dia foi a arca construída pelo patriarca bíblico. As dimensões da estrutura, inclusive, seriam as mesmas presentes no livro de Gênesis: 300 cúbitos (150 metros, aproximadamente) de comprimento, 50 cúbitos (25 metros, aproximadamente) de largura e 30 cúbitos (15 metros, aproximadamente) de altura.
Mais do que isso: o escaneamento de alta tecnologia teria mostrado estruturas perfeitamente angulares a cerca de 7 metros sob a superfície, o que foi interpretado pelos pesquisadores como sendo as áreas internas da arca. Parte dessas estruturas se assemelhariam a tuneis por onde seria possível caminhar, o que indicaria a presença de corredores na estrutura.
“Não é o que se deveria ser encontrado se o monte fosse formado apenas por rochas sólidas ou restos de erosão. Mas acaba sendo exatamente o que deveria aparecer no caso de uma embarcação feita por mãos humanas, seguindo as indicações presentes na Bíblia para a Arca de Noé”, avaliou Jones, em uma entrevista sobre o tema.
Equipe quer entrar no que seriam os restos subterrâneos da Arca de Noé
Mais de 80 amostras de solo foram retiradas da formação em 2024 e analisadas pela equipe. Foi encontrada quantidade muito grande de potássio, o que para o time de pesquisadores seria consistente com a decomposição de uma grande quantidade de madeira oriunda da arca.
Esse fator teria influência, inclusive, na vegetação presente no local onde estariam os restos da Arca de Noé. “A grama que cresce sobre a formação tem uma cor diferente daquela que cresce do lado de fora”, disse Jones, em uma sugestão de que o local teria uma origem mais ligada a uma estrutura construída do que algo formado pela natureza.
Os próximos passos da pesquisa sobre a arca envolvem a escavação e retirada de materiais soterrados e a exploração subterrânea do local. De acordo com a equipe, as condições climáticas na região do Ararat permitiram a conservação de pelo menos parte da arca. Devido ao inverno rigoroso, muitas partes da embarcação podem ter sido petrificadas e se mantido intactas desde então.
“Análise de solo e escaneamento do terreno são ótimas coisas, mas queremos entrar na arca, de alguma forma. Queremos ver esses espaços vazios, colocar uma câmera para filmar essas estruturas. Aconteça o que acontecer, sempre que Deus abrir essas portas, seguiremos trabalhando naquele local”, completou o pesquisador Andrew Jones.
Pesquisador cristão afirma que novos dados sobre a Arca de Noé são “sensacionalismo”
As descobertas trazidas pela equipe que estuda o que seriam os restos da Arca de Noé foram recebidos com um certo ceticismo mesmo entre aqueles que defendem a crença nos relatos da Bíblia. Wesley Huff, apologista cristão e pesquisador da história bíblica, foi um dos que criticou o anúncio do time de Jones.
Em um longo post no X, Huff citou o fato de ninguém na equipe que estuda a arca ser arqueólogo formal. Por isso, avaliou o apologista cristão, as alegadas descobertas não passariam de “especulações de amadores”.
Um dos pontos criticados na pesquisa foi o uso dos radares de solo, conhecidos em inglês pela sigla GPR. Para Huff, a tecnologia não é a mais adequada para solos argilosos porque o radar não conseguiria diferenciar o que é rocha, água, raízes de plantas ou formações supostamente incomuns.
Huff também questiona a localização precisa do Monte Ararat citado na Bíblia e a formação geológica em formato de barco – o que para ele não seria algo incomum na região da fronteira da Turquia com a Armênia. Por fim, os restos de madeira que teriam sido encontrados no local datariam do Século VII d.C., muito depois do período no qual teria ocorrido o dilúvio.
“Toda essa descoberta da Arca de Noé não é legítima. Praticamente tudo o que sai dessa história está envolto em sensacionalismo. ‘Parece um barco para mim’ simplesmente não constitui evidência real. Eu acredito que houve um Noé e uma arca. Mas essa formação quase certamente não são os restos dela”, completou.
A crítica de Huff não ficou sem resposta. Em seu perfil oficial no X, a equipe de pesquisadores reforçou o que foi dito na descoberta sobre a madeira encontrada no local e sobre as estruturas subterrâneas que podem ser parte dos restos da Arca de Noé.
“Nunca afirmamos que a madeira encontrada era de ‘milhares de anos atrás’. Nossas amostras de solo confirmaram alto nível de potássio 100% consistente com madeira decomposta. As varreduras de radar mostram um corredor, ângulos retos perfeitos e até um possível átrio sob o solo. Os dados também mostram que o comprimento da estrutura é exatamente o que aparece no Gênesis. Parece que você está lidando com isso compilando informações ruins e incorretas e atribuindo-as ao nosso trabalho”, conclui a postagem.
noticia por : Gazeta do Povo


