O presidente da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a empresa avalia a possibilidade de vender toda a sua participação na Raízen, após ter se tornado minoritária durante o processo de reestruturação financeira da endividada produtora de açúcar e etanol.
O executivo ainda declarou nesta sexta-feira (15) que a Cosan não acompanhará a Shell —sua sócia na Raízen— em um aporte de capital na empresa, que também é uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
Além disso, há negociações evoluindo com credores da dívida da Raízen para conversão do endividamento em ações da empresa, disse o CEO da Cosan, que também enfrenta alto endividamento.
“Significa (para a Cosan) que, considerando o tamanho da conversão, isso vai resultar em diluição substancial” da participação da empresa na Raízen, destacou Martins.
“A gente ainda não sabe o tamanho (da conversão), algumas questões importantes estão sendo discutidas”, acrescentou o executivo, citando, por exemplo, o “preço da conversão”.
De qualquer maneira, a Raízen deixará de ser um investimento importante da Cosan, uma vez que ela será minoritária ao final da reestruturação, destacou.
“Estamos decidindo se teremos ações ordinárias ou preferenciais… (mas) a nossa participação na Raízen não deve ser expressiva”, completou, acrescentando que “não é intenção da Cosan se manter em acordo de acionistas com a Shell”, firmado inicialmente há cerca de 15 anos.
“A partir do momento em que haja a conversão e esse aporte de capital, deixaremos de ter esse acordo que existe na Raízen com a Shell”, comentou o CEO da Cosan.
Martins disse que a Cosan deverá vender participação na Raízen, ainda que não se saiba ainda quando nem o tamanho da alienação.
“Isso posto, o que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser vendida”, disse o executivo, acrescentando que a Cosan não tem uma “decisão concreta” da participação que será vendida.
Com uma participação reduzida na Raízen, espera-se que a Cosan “vá buscar liquidez em algum momento”, explicou Martins, falando sobre a venda das ações na companhia de açúcar e etanol.
DISSOLUÇÃO DA HOLDING
Questionado por analista sobre qual será o papel da holding Cosan —dona também de participações em empresas como Rumo e Compass Gás e Energia— como veículo de investimentos no futuro, após reestruturação de sua própria dívida, Martins disse que ela deverá ser dissolvida, em processo que pode começar em 2027.
Os acionistas da Cosan deverão então receber participações nas empresas investidas. “A premissa básica de todos nós aqui é que, com o objetivo de reduzir a alavancagem da empresa, obviamente não faz o menor sentido que a Cosan continue sendo um veículo de investimento de portfólio”, afirmou.
Segundo ele, crescimento dos negócios será absolutamente de responsabilidade das empresas que fazem parte do grupo hoje. “Então, neste horizonte de três a cinco anos, é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir nesse período”, comentou.
“Ou seja, à medida que a gente tenha a conclusão do nosso processo de desinvestimento e redução da alavancagem, subsequentemente a gente vai entender efetivamente o que vamos ter de ativos e passivos dentro da companhia, e ato contínuo, provavelmente fazer distribuição direta das participações para os acionistas de Cosan”, disse ele.
O executivo afirmou que a ideia é que o processo —já acordado com os novos e atuais acionistas — aconteça “tão logo quanto factível”.
“O primeiro passo é redução do endividamento, esse é o objetivo atual. Estamos implementando esta estratégia, a abertura de capital da Compass é passo muito relevante, e tem outros passos”, disse.
Ele ressaltou que, ainda neste ano, a Cosan vai demonstrar redução “substancial” do endividamento —a dívida líquida expandida fechou o primeiro trimestre em R$11,5 bilhões, redução de 34% na comparação anual. Para 2027, ficaria ainda um saldo “residual” da dívida.
“E é justo assumir que vamos começar esse processo de dissolução da holding já a partir do ano que vem”, disse o CEO, acrescentando que, apesar do custo de carregar a dívida, a empresa não fará isso a “qualquer custo”.
Por fim, com o processo de dissolução da holding, os acionistas atuais da Cosan passariam a se tornar acionistas diretos das atuais empresas investidas, disse Martins.
noticia por : UOL