Belugas reconhecem a própria imagem em espelho, sugere estudo

A capacidade de reconhecer a própria imagem no espelho era considerada uma das provas de como os seres humanos tinham um desenvolvimento cognitivo superior ao dos demais animais.

Mas em experimentos ao longo dos últimos 50 anos —desde que os primeiros testes de espelho foram criados pelo psicólogo Gordon Gallup Jr., na década de 1970—, outras espécies demonstraram essa habilidade. Entre elas estão chimpanzés, orangotangos, bonobos, gorilas, golfinhos-nariz-de-garrafa, elefantes-asiáticos e o corvídeo pega-rabuda, além de uma espécie de peixe-limpador (Labroides dimidiatus) —ainda em debate.

Agora, pesquisadores do Hunter College, em Nova York (Estados Unidos), sugerem que as belugas (Delphinapterus leucas) também são capazes de reconhecer a própria imagem no espelho.

O estudo foi publicado nesta quarta-feira (20) na revista especializada Plos One. Os autores analisaram as respostas comportamentais de quatro belugas fêmeas —três adultas e uma jovem— a um grande espelho subaquático. Os experimentos foram conduzidos há mais de 20 anos, no Aquário de Nova York, e acabaram reavaliados recentemente com a digitalização de fitas de gravação.

As quatro foram colocadas diante do espelho dezenas de vezes, sempre juntas, para minimizar efeitos no experimento como resposta ao isolamento —belugas, assim como outros cetáceos odontocetos, a exemplo dos golfinhos, são animais sociais. As reações delas foram anotadas e estudadas.

Diane Reiss, professora de comportamento animal e conservação no Hunter College e coordenadora do estudo, diz que indivíduos que passam no teste de autorreconhecimento no espelho (MSR, na sigla em inglês), normalmente, progridem por três estágios, primeiro exibindo respostas à imagem refletida como se estivessem respondendo a um membro coespecífico.

“O tipo de respostas muda na segunda fase, denominada teste de contingência, na qual os indivíduos começam a exibir comportamentos incomuns e repetitivos frente ao espelho (há um excelente filme do Groucho Marx no qual ele demonstra esse tipo de comportamento). Durante este estágio, os indivíduos parecem aprender que há uma correspondência de um para um entre seu próprio comportamento e o que veem no espelho.”

“No terceiro estágio, eles exibem comportamento autodirecionado, usando o espelho como ferramenta para visualizar partes do seu corpo e/ou atividades que de outra forma não conseguiriam ver na ausência do espelho”, diz.

Das 4 belugas estudadas, 2 —Natasha, de 21 anos, e sua filha, Maris, de 7— exibiram comportamentos que podem ser interpretados como respostas sociais ou de exploração: movimentos repetitivos da cabeça, aproximações e observação prolongada da superfície refletora.

Com o tempo, porém, os cientistas descreveram uma mudança gradual nesses movimentos para um comportamento autodirecionado, quando os animais pareciam utilizar o espelho para observar o próprio corpo.

Entre esses comportamentos estavam movimentos corporais incomuns, abertura da boca diante do espelho, rotações do corpo e brincadeiras com bolhas produzidas por elas. Em uma das sessões, Natasha levou um objeto até o espelho e passou a manipulá-lo enquanto observava a própria imagem refletida.

“Nossa maior evidência para o autorreconhecimento no espelho é o rico conjunto de comportamentos autodirecionados que elas exibiram diante do espelho”, afirma Reiss.

Natasha também passou em um teste de marcação, realizado após as avaliações iniciais do teste de contingência. Ele consiste em fazer algumas marcas no corpo do animal com canetas e observar se ele procura aquela marca no reflexo —a beluga passou a posicionar repetidamente a região marcada diante do espelho após receber a marca.

Já Maris não passou no teste da marcação. Mas os resultados mistos não desanimaram a professora.

“O comportamento autodirecionado também é considerado evidência de autorreconhecimento, sendo o teste de marcação apenas uma etapa final para confirmar essa capacidade. Alguns indivíduos testados em estudos de MSR, incluindo crianças pequenas, mostram evidências claras de comportamento autodirecionado no espelho, mas falham em tocar em uma marca”, afirma a docente.

No entanto, a diferenciação entre a percepção de si próprio e a interação com uma imagem refletida como sendo de um membro coespecífico ainda é fruto de debate na área do comportamento animal.

Segundo Reiss, os avanços nos estudos de cognição animal não mudaram significativamente nas últimas décadas sobre como esses comportamentos são interpretados, mas é possível saber mais sobre a capacidade cognitiva de belugas hoje do que há 20 anos.

“Embora os fatores subjacentes à capacidade de autorreconhecimento ainda não estejam claros, em geral essa capacidade tem sido fortemente associada a espécies com cérebros grandes e complexos, com consciência social e, em muitos casos, empatia.”

Com as novas evidências, Reiss e sua equipe esperam poder contribuir para o avanço nos estudos de cognição animal e, também, mostrar a importância de continuar investigando tais comportamentos em outras espécies.

“Essas descobertas mostram que as belugas demonstram um alto nível de autoconsciência e um senso de si mesmas. Esperamos que, com isso, aumentem os esforços e compromisso em manter políticas governamentais para proteger esses magníficos mamíferos marinhos e seus ambientes.”

noticia por : UOL

A capacidade de reconhecer a própria imagem no espelho era considerada uma das provas de como os seres humanos tinham um desenvolvimento cognitivo superior ao dos demais animais.

Mas em experimentos ao longo dos últimos 50 anos —desde que os primeiros testes de espelho foram criados pelo psicólogo Gordon Gallup Jr., na década de 1970—, outras espécies demonstraram essa habilidade. Entre elas estão chimpanzés, orangotangos, bonobos, gorilas, golfinhos-nariz-de-garrafa, elefantes-asiáticos e o corvídeo pega-rabuda, além de uma espécie de peixe-limpador (Labroides dimidiatus) —ainda em debate.

Agora, pesquisadores do Hunter College, em Nova York (Estados Unidos), sugerem que as belugas (Delphinapterus leucas) também são capazes de reconhecer a própria imagem no espelho.

O estudo foi publicado nesta quarta-feira (20) na revista especializada Plos One. Os autores analisaram as respostas comportamentais de quatro belugas fêmeas —três adultas e uma jovem— a um grande espelho subaquático. Os experimentos foram conduzidos há mais de 20 anos, no Aquário de Nova York, e acabaram reavaliados recentemente com a digitalização de fitas de gravação.

As quatro foram colocadas diante do espelho dezenas de vezes, sempre juntas, para minimizar efeitos no experimento como resposta ao isolamento —belugas, assim como outros cetáceos odontocetos, a exemplo dos golfinhos, são animais sociais. As reações delas foram anotadas e estudadas.

Diane Reiss, professora de comportamento animal e conservação no Hunter College e coordenadora do estudo, diz que indivíduos que passam no teste de autorreconhecimento no espelho (MSR, na sigla em inglês), normalmente, progridem por três estágios, primeiro exibindo respostas à imagem refletida como se estivessem respondendo a um membro coespecífico.

“O tipo de respostas muda na segunda fase, denominada teste de contingência, na qual os indivíduos começam a exibir comportamentos incomuns e repetitivos frente ao espelho (há um excelente filme do Groucho Marx no qual ele demonstra esse tipo de comportamento). Durante este estágio, os indivíduos parecem aprender que há uma correspondência de um para um entre seu próprio comportamento e o que veem no espelho.”

“No terceiro estágio, eles exibem comportamento autodirecionado, usando o espelho como ferramenta para visualizar partes do seu corpo e/ou atividades que de outra forma não conseguiriam ver na ausência do espelho”, diz.

Das 4 belugas estudadas, 2 —Natasha, de 21 anos, e sua filha, Maris, de 7— exibiram comportamentos que podem ser interpretados como respostas sociais ou de exploração: movimentos repetitivos da cabeça, aproximações e observação prolongada da superfície refletora.

Com o tempo, porém, os cientistas descreveram uma mudança gradual nesses movimentos para um comportamento autodirecionado, quando os animais pareciam utilizar o espelho para observar o próprio corpo.

Entre esses comportamentos estavam movimentos corporais incomuns, abertura da boca diante do espelho, rotações do corpo e brincadeiras com bolhas produzidas por elas. Em uma das sessões, Natasha levou um objeto até o espelho e passou a manipulá-lo enquanto observava a própria imagem refletida.

“Nossa maior evidência para o autorreconhecimento no espelho é o rico conjunto de comportamentos autodirecionados que elas exibiram diante do espelho”, afirma Reiss.

Natasha também passou em um teste de marcação, realizado após as avaliações iniciais do teste de contingência. Ele consiste em fazer algumas marcas no corpo do animal com canetas e observar se ele procura aquela marca no reflexo —a beluga passou a posicionar repetidamente a região marcada diante do espelho após receber a marca.

Já Maris não passou no teste da marcação. Mas os resultados mistos não desanimaram a professora.

“O comportamento autodirecionado também é considerado evidência de autorreconhecimento, sendo o teste de marcação apenas uma etapa final para confirmar essa capacidade. Alguns indivíduos testados em estudos de MSR, incluindo crianças pequenas, mostram evidências claras de comportamento autodirecionado no espelho, mas falham em tocar em uma marca”, afirma a docente.

No entanto, a diferenciação entre a percepção de si próprio e a interação com uma imagem refletida como sendo de um membro coespecífico ainda é fruto de debate na área do comportamento animal.

Segundo Reiss, os avanços nos estudos de cognição animal não mudaram significativamente nas últimas décadas sobre como esses comportamentos são interpretados, mas é possível saber mais sobre a capacidade cognitiva de belugas hoje do que há 20 anos.

“Embora os fatores subjacentes à capacidade de autorreconhecimento ainda não estejam claros, em geral essa capacidade tem sido fortemente associada a espécies com cérebros grandes e complexos, com consciência social e, em muitos casos, empatia.”

Com as novas evidências, Reiss e sua equipe esperam poder contribuir para o avanço nos estudos de cognição animal e, também, mostrar a importância de continuar investigando tais comportamentos em outras espécies.

“Essas descobertas mostram que as belugas demonstram um alto nível de autoconsciência e um senso de si mesmas. Esperamos que, com isso, aumentem os esforços e compromisso em manter políticas governamentais para proteger esses magníficos mamíferos marinhos e seus ambientes.”

noticia por : UOL

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