Com o início da Copa do Mundo de 2026, o torneio mundial pode ser utilizado como ferramenta de aprendizagem e forma de conectar experiências de formação social e cultural fora e dentro das escolas.
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O evento atrai a atenção dos estudantes e pode ser abordado de formas interdisciplinares, além de estimular competências socioemocionais e ampliar o repertório cultural dos alunos.
É importante utilizar o evento, que pode ser distrativo para estudantes, de forma a atrair seu interesse, como enfatiza Francisco Moreira Júnior, professor de História e líder pedagógico da Plataforma Amplia.
“Esse evento esportivo não deve ser tratado como uma distração, mas sim como o veículo para transmitir os conteúdos obrigatórios. A paixão pelo futebol funciona como a faísca inicial de interesse, enquanto o rigor conceitual das disciplinas é mantido integralmente”.
Francisco Moreira Júnior.
O líder de área de Educação Física e professor do Ensino Médio na Beacon School, Victor Pignott Maielo, destaca que competições esportivas são oportunidades de discutir temas que ultrapassam a vivência do esporte.
Victor cita assuntos como as demandas físicas e psicológicas dos atletas, mas aponta também que diálogos simples com os alunos podem abrir espaço para debater identidade nacional, cultura, geopolítica, consumo, diversidade e convivência multicultural.
Além disso, a prática esportiva é uma ferramenta valiosa para o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes.
“O ambiente da competição coloca os estudantes diante de frustrações e sucessos em igual dimensão. Dentro da escola, essas experiências podem ser trabalhadas de forma segura e acompanhada pelos educadores”, aponta Victor.
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Interdisciplinaridade na Copa do Mundo 2026
Para além da educação física, competições esportivas globais, como a Copa do Mundo de 2026, abrem espaço para integrar diferentes componentes escolares a partir de uma única temática.
Francisco Moreira Júnior, professor de História e líder pedagógico da Plataforma Amplia, aponta a possibilidade de explorar questões geopolíticas dos países participantes, bem como a formação de suas fronteiras e os impactos socioeconômicos do evento.
Além disso, o professor também indica aplicabilidade do tema em outras matérias, como análise estatística dos jogos, probabilidades, leitura de gráficos e a conversão de moedas das nações envolvidas, em matemática. Estudo dos hinos, produção de crônicas esportivas e aprendizado de termos em outros idiomas para linguagens.
Extrapolando componentes curriculares, professores ainda podem utilizar o torneio para discutir a variedade cultural entre os países, bem como trabalhar o combate à xenofobia por meio do estudo das tradições, religiões e etnias de cada nação e debater o racismo estrutural dentro do futebol.
Outra possibilidade de abordagem relaciona igualdade de gênero ao comparar a visibilidade entre o masculino e feminino, além da história e da quantidade de investimento de cada modalidade.
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6 práticas pedagógicas com a Copa do Mundo 2026
Pensando nesta possibilidade, especialistas apresentam seis práticas pedagógicas para trabalhar em sala de aula durante a Copa do Mundo de 2026, que acontece, pela primeira vez, em três países, Canadá, Estados Unidos e México. Confira:
1. Transformar em uma ferramenta pedagógica interdisciplinar
O evento esportivo possibilita conectar diferentes áreas do conhecimento de forma prática e contextualizada. Podendo servir como ponto de partida para projetos que envolvem pesquisa, cultura, esportes e cidadania, tornando o aprendizado mais significativo para os estudantes.
Nessa perspectiva, no Colégio Américo de Oliveira, os alunos devem desenvolver pesquisas sobre aspectos históricos, geográficos, culturais e linguísticos dos países que representam, de forma a integrar disciplinas como educação física, história, geografia, língua portuguesa, línguas estrangeiras e artes.
“Por meio de pesquisas, organização de estandes, apresentações e exposições, são desenvolvidas habilidades de investigação, comunicação, expressão artística e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, estimula-se o respeito à diversidade cultural, à solidariedade, à responsabilidade social e ao senso de pertencimento à escola”, destaca Eliana Furtado Cordeiro, coordenadora do Colégio Américo de Oliveira.
2. Colocar a matemática e a estatística em campo
Diversos conceitos de matemática podem ser explorados a partir da visão da matemática, tornando o aprendizado da disciplina mais próximo do cotidiano. A trajetória da bola em determinados chutes pode ajudar a explicar funções matemáticas e parábolas.
Enquanto cobranças de pênalti permitem trabalhar probabilidade, frequência e análise de dados. Os resultados dos jogos também podem ser utilizados para discutir média, mediana e interpretação estatística. E até mesmo as dimensões do campo entram no debate.
“O evento esportivo pode ser uma excelente oportunidade para aproximar conteúdos matemáticos da realidade dos alunos, transformando conceitos abstratos em situações práticas ligadas ao futebol”, afirma Thiago Dutra, professor de Matemática do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School.
3. Futebol e o ensino de idiomas
A reunião de pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e idiomas com necessidade de se comunicar cria oportunidades para que estudantes possam praticar línguas estrangeiras em situações reais, em especial o inglês, por ser mais globalizado.
Esse contato pode ser realizado de formas variadas, como a leitura de notícias internacionais, debates e produções textuais sobre os jogos. Assim, possibilitando a ampliação do vocabulário, incorporando situações familiares e motivadoras, que levem a desenvolver a fluência e confiança no uso da língua, como destaca Fabrício da Silva Romão, assessor pedagógico do programa de ensino bilíngue Eduall.
“No contexto da educação bilíngue, esse tipo de evento mostra aos alunos que o inglês vai além da sala de aula, sendo uma ferramenta essencial para acessar informações, interagir com pessoas do mundo inteiro e participar de discussões globais”, afirma Fabrício.
4. Trabalhar competências socioemocionais por meio do esporte
A Copa do Mundo ainda cria circunstâncias fundamentais para desenvolver habilidades para a convivência em sociedade, como cooperação, empatia, respeito, disciplina e trabalho em equipe. Nas atividades esportivas coletivas, os estudantes aprendem a lidar com regras, responsabilidades e diferentes pontos de vista, como defende Eduardo Brito, coordenador de Esportes da unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco.
“A Copa se consolida como um verdadeiro laboratório vivo do comportamento humano. Para além dos resultados, os alunos observam como grandes atletas lidam com a pressão extrema, a frustração do erro, o sucesso e a necessidade premente de trabalho em equipe”, Izabella Agra Green Vanzelli, diretora do Colégio Saint Germain.
5. Incentivar a leitura e promover reflexões sobre diversidade
O universo esportivo também pode ser utilizado como porta de entrada para a literatura e expandir o conhecimento literário de estudantes entre diferentes nações mundiais. Além de abrir espaço para discussão sobre temas sociais e culturais.
Questões relacionadas à convivência, respeito às diferenças, superação e inclusão aparecem frequentemente em histórias ligadas ao esporte e ajudam a aproximar crianças e adolescentes da literatura. Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação, indica três livros que podem ser utilizados neste contexto: “A grande virada”, “Um time muito especial” e “Melhor de três”.
“Valores como empatia e respeito às diferenças podem ser trabalhados usando o evento como gancho. Entre competições, rivalidades e brincadeiras coletivas, o esporte também pode abrir espaço para conversas sobre convivência, diferenças sociais e os desafios da infância e da adolescência”, comenta Laura.
6. Utilizar como repertório para o Enem
Além de proporcionar abordagens diferentes para disciplinas escolares e habilidades socioemocionais, a Copa do Mundo de 2026 também pode ser utilizada como instrumento para ampliar o repertório cultural do estudante.
Por ser um fenômeno social, cultural e econômico, o futebol permite estabelecer conexões com diferentes temas que costumam aparecer nas propostas de redação. Desde que haja o desenvolvimento das capacidades do estudante para relacionar o esporte com a situação apresentada pela frase temática.
“O que diferencia um uso superficial de referências esportivas de um repertório eficaz na redação é a forma como a relação entre o exemplo e o tema é construída. Em um uso eficaz, o repertório é contextualizado e diretamente associado à tese defendida, auxiliando na persuasão do argumento”, explica Felipe da Costa Rico, analista pedagógico da plataforma Redação Nota 1000.
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Por Jade Vieira
Jornalista
noticia por : UOL